Atentados, tiroteios e acidentes. O que enfrentam os militares nacionais nas missões de paz

Nas missões humanitárias em que Portugal tem participado há registos de 22 militares feridos e 20 mortos. O caso do comando que ficou gravemente ferido esta quinta-feira foi o mais recente.

O militar português que ficou gravemente ferido na República Centro-Africana é o 22.ª soldado nacional a sofrer ferimentos em missões de paz desde 2008. E desde 1992, quando as forças armadas sofreram a primeira vítima mortal em operações de caráter militar, no caso em Angola e S. Tomé e Príncipe, já se registaram 20 mortes: 17 da FA e três da Guarda Nacional Republicana.

Neste caso mais recente, o soldado comando sofreu um "traumatismo craniano sem perda de conhecimento" e um "traumatismo grave dos membros inferiores" que obrigou a "amputação bilateral" na sequência de um acidente de viação, revelou esta sexta-feira o Estado-Maior-General das Forças Armadas. O acidente aconteceu na quinta-feira (dia 13) e foi transportado esta sexta-feira para Lisboa onde está internado na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital das Forças Armadas.

Com esta situação sobe para 22 o número de soldados feridos, pelo menos com gravidade suficiente para ser noticiado, em missão. Entre os casos conhecidos o primeiro ocorreu em 2005 quando no Afeganistão uma patrulha onde seguiam soldados portugueses foi atingida e provocou ferimentos a três (além de uma morte).

Três anos depois, a 9 de junho de 2008, e também no Afeganistão, quando uma coluna que regressava a Cabul foi atacada na província de Wardak (80 quilómetros da capital), dois militares ficaram feridos sem gravidade.

Em 2011, a 24 de novembro, 14 militares ficaram feridos durante confrontos com a população no Kosovo. Segundo noticiou na altura a agência Lusa, o incidente envolveu também dez soldados húngaros. Dos portugueses, dois ainda tiveram de ser hospitalizados.

No ano passado registaram-se dois incidentes envolvendo militares que participam na força das Nações Unidas que está na República Centro-Africana. A oito de abril, um paraquedista ficou ferido com estilhaços de granada durante um cerco a radicais islâmicos em Bangui. Terão sido ferimentos de pouca gravidade.

O segundo incidente aconteceu a 31 de agosto, quando um outro militar paraquedista ficou ferido durante a manutenção da sua G3 e foi transportado para Portugal.

Vinte mortos em missões humanitárias

Desde 1992 já morreram duas dezenas de militares portugueses durante missões de caráter humanitário, destes 17 pertenciam às Forças Armadas e três à Guarda Nacional Republicana.

A primeira vítima mortal foi o paraquedista Fernando Sérgio da Silva Teixeira, a 30 de novembro de 1992, em São Tomé e Príncipe. Exatamente três anos depois morreu o primeiro-sargento Américo de Oliveira Dias, em Angola.

O ano de 1996 foi mortífero para os soldados portugueses em missões no estrangeiro. Em janeiro, dois cabos paraquedistas (Alcino Mouta e Rui Tavares) morreram na Bósnia-Herzegovina na sequência da explosão de uma granada que levaram para a caserna. Em outubro, um acidente de viação matou outros dois paraquedistas - Francisco Barradas e Hugo Sousa.

Em Angola, a 11 de setembro, morreu num outro acidente de viação o cabo-adjunto Manuel António Janeiro Gonçalves, também numa missão de manutenção de paz da ONU.

Dois anos depois, em junho de 1998, morreu na Costa do Marfim, também numa missão das Nações Unidas, o capitão da Guarda Nacional Republicana Álvaro Costa.

No ano 2000, mais dois soldados perderam a vida em missões da ONU, e ambos a 3 de outubro, quando o helicóptero onde seguiam teve um acidente: o primeiro-sargento paraquedista José Vitorino dos Santos Moreira Fernandes e o soldado paraquedista José Miguel Gonçalves Lopes.

Desde 1992 já morreram duas dezenas de militares portugueses durante missões de caráter humanitário, destes 17 pertenciam às Forças Armadas e três à Guarda Nacional Republicana.

Em setembro de 2002, morreu em Darwin (Austrália) devido a causas naturais o brigadeiro-general Paulo Pereira Guerreiro, que era o chefe dos observadores militares da ONU em Timor-Leste.

Um mês depois, um atentado terrorista em Bali (Indonésia) matou 202 pessoas e entre elas o paraquedista Diogo Ribeirinho, que fazia parte do contingente nacional em Timor-Leste.

Em março de 2003, o fuzileiro António Nascimento morreu de ataque cardíaco quando nadava numa praia em Liquiça (Timor-Leste).

Entre os anos 2004 e 2007 mais três soldados perderam em vida quando se encontravam fora de Portugal em missão: o paraquedista Ricardo Valério (em 2004 na Bósnia-Herzegovina durante uma operação de descarga de alimentos); o primeiro-sargento comando João Paulo Pereira (2005, Afeganistão, quando o blindado em que seguiu foi atingido) e o paraquedista Sérgio Pedrosa (2007, Afeganistão, também num acidente com um blindado).

No Kosovo, em 2010, morreu o primeiro-cabo José Bernardino após uma corrida para uma prova de aptidão física; e em Timor-Leste, o sargento da GNR Hermenegildo Marques perdeu a vida depois de o veículo onde seguia ter caído numa ravina.

Dois anos mais tarde, em março de 2012, uma infeção pulmonar provocou a morte ao alferes da GNR Daniel Varela quando estava em Timor-Leste.

Há praticamente dois anos, a 18 de junho de 2017, o sargento-ajudante Gil Benido morreu no Mali na sequência de um ataque terrorista ao Hotel le Campemente Kangaba.

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