Natalie Portman recusa "nobel judaico" por causa de Netanyahu

Atriz israelo-americana não vai à cerimónia do prémio Genesis

Foi em novembro que Natalie Portman foi anunciada como a vencedora do prémio Genesis. Um galardão que ia receber - juntamente com um milhão de euros - em junho, até que a atriz israelo-americana anunciou que não ia à cerimónia. A fundação que atribui o prémio cancelou entretanto o evento.

A explicação de Natalie Portman para recusar aquele que é considerado o "Nobel judaico" é não querer ser associada ao primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, que iria discursar na cerimónia. A decisão foi comunicada pelos seus representantes à organização, sem apresentação de motivos. O que levou a ministra da cultura israelita, Miri Regev, a acusar a atriz de estar ao lado dos países que defendem o boicote e sanções a Israel.

Natalie Portman respondeu no Instagram que não queria ser associada a Benjamin Netanyahu. "Tal como muitos israelitas e judeus em todo o mundo, posso ser crítica com a liderança de Israel sem querer boicotar toda a nação."

O prémio é instituído pela Fundação Prémio Genesis e é atribuído a personalidades judaicas que se destaquem no mundo. Já o receberam Michael Douglas ou o ex-presidente da câmara de Nova Iorque Michael Bloomberg.

O prémio tem um valor financeiro de um milhão de dólares (cerca de 812 mil euros), que seria dobrado pelo filantropo israelita Morris Kahn. O prémio é entregue pelo vencedor a organizações de solidariedade e a organização do prémio espera que Natalie Portman não recuse o dinheiro e ainda o doe a instituições ligadas aos diretos das mulheres, como era sua intenção.

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