Três aviões Canadair abasteceram-se na Praia da Rocha. A água salgada serve para apagar incêndios?

Os meios aéreos de combate a incêndios estiveram muito próximos dos barcos que estavam na praia algarvia

Três aviões Canadair que estão a combater o incêndio de Monchique, distrito de Faro, abasteceram os seus tanques de água perto de Praia da Rocha, em Portimão, na tarde de terça-feira. Pelo menos dois destes meios aéreos foram emprestados pelo Governo espanhol.

O comandante da capitania marítima de Portimão, Ricardo Santos Arrabaça, confirmou ao DN que a Capitania foi informada de que, pelo menos, três Canadair iam ter de encher os tanques de água na costa marítima algarvia.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram que os Canadair estiveram muito próximos dos barcos que estavam na Praia da Rocha.

Segundo o site Fogos.pt escreveu no Twitter que os estes aviões fizeram, pelo menos, "duas passagens com intervalos de 10 minutos".

O químico industrial da Universiade Católica de Valparaíso Germán Brito, citado pelo site espanhol Ahora Noticias, refere que este método não é adequado. Isto porque o sal marinho pode oxidar e danificar o metal do avião que transporta a água. Para além disto, o PH da água salgada ​​​​​​altera as propriedades do solo das florestas, matando plantas ou impedindo que estas se desenvolvam normalmente.

Um estudo do LNEC de 2006 afirma que a água do mar pode ser utilizada para o combate aos fogos sem causar problemas preocupantes. Alertando para a deposição de cloreto de sódio nos solos, que pode causar uma concentração de valores elevados de sal, diz também que essa situação é transitória. O estudo foi, no entanto, muitos contestado por ambientalistas.

Em Espanha, este método já foi usado para combater fogo florestal. Em março do ano passado, durante um incêndio em Viña del Mar, os Canadair abasteceram-se precisamente no mar.

O incêndio de Monchique, no distrito de Faro, já dura há seis dias e esta terça-feira estendeu-se aos concelhos de Silves e Portimão. Até agora o fogo queimou mais de 21.300 hectares, desalojou pelo menos 230 pessoas e fez 32 feridos ligeiros e um grave.

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