Tardes e manhãs na TV: afinal, porque é que não se ganha da mesma maneira?

Cristina Ferreira na TVI tem sido líder nas manhãs, mas a imposição dela nas tardes tem sido muito complexa. Há razões que justificam e não é a primeira vez que acontece

Quarto Dia de Cristina, na TVI quarta vitória de manhã e quatro batalhas renhidas à tarde. E se a emissão de quinta-feira, 15 de outubro, na luta direta com Júlia Pinheiro, na SIC, voltou a ser mais disputada, como no dia da estreia, a 23 de setembro, as restantes duas emissões resultaram em liderança inequívoca para a talk show vespertino do canal de Balsemão.

Como pode um mesmo formato com um dos rostos mais icónicos da televisão ganhar de manhã e perder à tarde? "Os públicos são diferentes", responde um elemento conhecedor de consumos televisivos ao Diário de Notícias. "O auditório da manhã é mais feminino, mais velho, mais presente. O público da tarde é mais jovem, mais disperso e muito mais volátil, e não é necessariamente o mesmo de segunda a sexta, há variações consoante os dias", acrescenta.

Um outro elemento conhecedor desta realidade lembra que o programa de Cristina acaba por pôr em causa toda a "horizontalidade" da grelha. Ou seja, "tratando-se de públicos muito fiéis, sobretudo nos programas exibidos durante o dia (day time), o Dia de Cristina cria um corte muito grande com o hábito de quem vê Você na TV [com Manuel Luís Goucha] e A Tarde é Sua [com Fátima Lopes]. Ora, não haver um dia certo, acaba por fragilizar ainda mais esse hábito", justifica esse mesmo elemento.

O que fazer? Cristina Ferreira já tem vindo a fazer ajustes ao formato desde a sua estreia e tem vindo a começar o programa cada vez mais cedo. Na quinta-feira, arrancou antes mesmo de Júlia e trouxe outros conteúdos como o reality show Big Brother à sua sala de estar. Já Pinheiro recebeu, no seu sofá, um herdeiro de Cristina, o emblemático médico que a tinha acompanhado nas manhãs, Almeida Nunes.

A luta de quinta à tarde foi feita décima a décima percentual, com ambas partes a vencerem em momentos distintos. Mas, as contas fechadas, de quem viu os formatos em direto e já gravado, apontam para a vitória da SIC, com Júlia Pinheiro a registar 18,1% de quota de mercado, com 373 mil e 500 espectadores sintonizados face a 15.5 e 367.200 obtidos por Cristina Ferreira, respetivamente.

"A televisão é hábito, é muito difícil passar de um canal para o outro sem custos", afirma um outro elemento contactado pelo DN.

Contudo, Cristina Ferreira calou esta evidência. Foi a única, aliás, na sua mudança da TVI para a SIC, em 2018 e com estreia a 7 de janeiro de 2019. Assim, que pisou o estúdio do novo canal, a partir do território onde nasceu, as manhãs, nunca mais perdeu e ajudou a alavancar os resultados da SIC.

Há quem vá mais longe e lembre: "ela não provou apenas isso, ela demonstrou que era possível trazer outros públicos de volta ao consumo televisivo e que agora parecem não estar lá da mesma forma", diz um responsável da televisão.

Na TVI, Cristina Ferreira continua a segurar e a ter nas mãos o império das manhãs - ainda que na terceira emissão de Dia de Cristina tivesse ficado marcado por uma batalha taco-a-taco com João Baião e Diana Chaves, na SIC - , mas já não da mesma forma. "Há dias em que Goucha, nas manhãs e comparando com as manhãs de Dia de Cristina, já não faz assim tão menos audiências do que ela, dentro da própria estação", analisa o mesmo elemento.

O caso paradigmático de Júlia

Se Júlia Pinheiro canta agora vitória nas quatro tardes em que apresentadora e ex-professora de Cristina Ferreira se bateu com a sua ex-aluna, certo é que o rosto da SIC sentiu esta questão dos públicos na pele.

Estávamos, então, em janeiro de 2011, quando Júlia se mudou da TVI para a SIC e, ao contrário, das tardes para as manhãs. Na noite da passagem de ano, Júlia apresentava a final de Casa dos Segredos, em Queluz de Baixo, e à hora de almoço do primeiro de janeiro de 2011 emitia o comunicado de mudança para o canal de Balsemão, então em Carnaxide.

Em março de 2011, arrancava na antena com Querida Júlia, um formato que nunca se conseguis impor nem vencer ao então líder Você na TV, ainda com a dupla Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha.

"A Júlia era líder incontestada nas tardes e foi cometido o o erro de a por no horário das manhãs, que não era o dela", recorda um elemento próximo do processo. Dois anos e meio depois, o Querida Júlia mudava para Queridas manhãs e Júlia recebia um parceiro, João Paulo Rodrigues. E nem assim ganhava. "Foi um erro fazê-la permanecer lá", afirma o mesmo analista ao DN. Dois meses antes de Cristina pisar os estúdios da SIC, Júlia estreava-se nas tardes com vitórias face a Fátima Lopes, na TVI

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