Serviços municipais capturam cobra que fez parar obra no Porto [Veja o vídeo]

A Câmara do Porto divulgou um vídeo que mostra a captura da cobra na zona do Amial. O réptil tinha feito parar a construção de uma obra quando foi detetada.

A cobra que assustou os trabalhadores da construção civil que trabalharam numa obra na zona do Amial, no Porto, e fez mesmo parar os trabalhos, foi capturada pelos serviços municipais do Porto. O momento foi registado em vídeo, divulgado esta terça-feira pela Câmara do Porto.

A cobra já tinha aparecido na semana passada mas segunda-feira voltou a mostrar-se na obra que decorre no Amialno cruzamento entre a Rua Nova do Tronco e a Rua do Amial. Nesse dia, os serviços municipais de Proteção Civil não a conseguiram apanhar mas esta terça-feira lograram esse objetivo. Os operários falavam numa cobra com mais de dois metros, mas segundo a Câmara do Porto não terá esse comprimento. No entanto, pelas imagens vê-se que resistiu muito e possui uma dimensão assinalável.

"A famosa cobra, que ganhou na imprensa mais metros do que aqueles que efetivamente tem, não escapou hoje aos trabalhadores da Câmara do Porto que, com paciência, fintaram a sua ardilosa capacidade para se infiltrar entre as frinchas de um muro de pedra, nas imediações da obra onde foi ontem avistada", lê-se na nota divulgada no portal Porto.pt.

O réptil ficou agora à guarda dos serviços municipais.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...