Reitor da U.Porto anuncia mais três locais para novas camas para universitários

Novas camas criadas para os universitários na cidade portuense para combater a "falta de alojamento a preços comportáveis", segundo o reitor da Universidade do Porto. Este acusa o Plano Nacional para Alojamento do Estado de ser apenas um bom negócio para o Estado.

O reitor da Universidade do Porto anunciou esta sexta-feira a criação de novas camas universitárias na Messe dos Sargentos do Porto, na sede da Lutuosa de Portugal (Aliados) e num edifício na Carvalhosa, junto à antiga Faculdade de Farmácia.

"Há diligências em curso para criar camas na Messe dos Sargentos do Porto, na sede da Lutuosa de Portugal nos Aliados e num edifício da Universidade na Carvalhosa, junto à antiga Faculdade de Farmácia", anunciou António Sousa Pereira, durante o discurso que proferiu hoje no durante a celebração do 108.º aniversário da U.Porto.

Segundo o reitor, o problema da "falta de alojamento a preços comportáveis" na cidade do Porto levou a equipa reitoral a desenvolver "esforços junto de diferentes parceiros" para encontrar soluções de alojamento e aumentar a oferta de camas para os estudantes universitários.

"Em boa hora tomámos a iniciativa de procurar alternativas residenciais, pois, como se percebe pelo anunciado Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior, não podemos esperar grandes apoios nesta matéria por parte do poder central", acrescentou o reitor.

"Não foi um processo simples, nem tão célere quanto desejávamos, dada a complexidade do problema habitacional em Portugal. Mas estamos hoje em condições de anunciar que, para além da abertura do concurso para a reabilitação da Residência Alberto Amaral, há uma série de iniciativas já em marcha para aumentar a oferta de camas".

Está em "marcha" um projeto para uma residência estudantil no recinto do Quartel do Monte Pedral, na rua Serpa Pinto do Porto, que decorre de uma parceria entre a Universidade do Porto e a Câmara Municipal do Porto e está também em "fase de abertura do concurso" a reabilitação da Residência Alberto Amaral.

A 26 de fevereiro foi publicado em Diário da República um decreto-lei com um plano nacional para aumentar o número de camas para estudantes do ensino superior que abrange, numa primeira fase, um aumento de 80%, o equivalente a cerca de 12 mil camas.

Esse plano nacional de alojamento inclui a construção, reabilitação e requalificação de mais de 250 imóveis no país, abrangendo mais de 7.500 camas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto (6.927 novas camas para a Área Metropolitana de Lisboa e 1.650 novas camas para o Norte).

"Plano do Governo para alojar universitários é "mão cheia de nada"

O reitor da Universidade do Porto disse que o plano do Governo para criar camas universitárias é uma "mão cheia de nada", porque as universidades vão ter de se "endividar junto da banca ou da Fundiestamo".

"O Plano Nacional para o Alojamento é um bom negócio para o Estado e uma mão cheia de nada para as instituições de ensino superior", declarou o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, no discurso que proferiu esta tarde durante cerca de dez minutos no Salão Nobre da Reitoria da U.Porto, no âmbito dos festejos do 108.º aniversário daquela instituição de ensino superior.

O reitor da U.Porto avisou que para converter em residências os imóveis previstos, as universidades vão ter de se "endividar junto da banca ou da Fundiestamo, a entidade gestora do Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado"."

António Sousa Pereira considerou ainda que o Governo apresentou um plano onde se verifica uma "gritante disparidade" no que diz respeito ao menor número de camas destinadas aos estudantes do Porto em comparação com o alojamento que vai ser criado para Lisboa.

"O plano do Governo não apenas apresenta uma gritante disparidade no número de novas camas para Lisboa em relação às previstas para o Porto, como contabiliza como futuro alojamento estudantil o projeto do Quartel do Monte Pedral, que é da inteira responsabilidade da autarquia [do Porto], e ainda a reabilitação da Residência Alberto Amaral", cujo concurso já foi lançado.

Com o plano do Governo, o "Estado transfere para as instituições o ónus financeiro da criação de residências e ainda se desfaz de imóveis sem préstimo que tem a seu cargo. Felizmente, a Universidade do Porto não foi envolvida neste processo", acrescenta o reitor.

No início deste mês de março, e em declarações avançadas à agência Lusa, o presidente da Federação Académica do Porto (FAP), João Pedro Videira, acusava o Governo de estar a cometer uma "dupla farsa" e a fazer "números políticos" em ano de eleições legislativas sobre o número de camas para os estudantes universitários no Porto.

"Isto é uma farsa. E é duplamente uma farsa. É uma farsa primeiro, porque os números de camas não estão corretos e, segundo, porque não são números do Governo, são números das instituições (...). O Governo a única coisa que faz é levar o código de contratação pública para os imóveis que estão inscritos no decreto-lei e permite um crédito muitas vezes com taxas de juro superiores à banca a quem entregar os imóveis à Fundiestamo [empresa instrumental do Grupo Parpública para a atividade de gestão de Fundos de Investimento Imobiliário] a custo zero", declarava João Pedro Videira, presidente da Federação Académica do Porto (FAP).

A U.Porto foi fundada a 22 de março de 1911 e celebra hoje o seu 108.º aniversário com a presença do Presidente da República.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG