Por onde anda Henrique, o homem que matou a mulher com oito tiros?

O crime ocorreu há sete dias e até agora as autoridades não conseguiram localizar Henrique Carvalho, o homem de 63 anos que matou a mulher em Lalim, Lamego.

Passaram sete dias e ainda não hã sinal de Henrique Carvalho, o homem de 63 anos que na sexta-feira, dia 14, assassinou a ex-mulher. Ana Maria Melo, 56 anos, não resistiu aos oito tiros disparados pela arma do ex-companheiro. Depois do crime, premeditado, que chocou a aldeia de Lalim, no concelho de Lamego, este homem que estava desempregado desapareceu. As autoridades estão no terreno e admitem várias possibilidades: pode ainda estar na região ou ter saído para outro local. A hipótese de suicídio não é posta de lado.

O funeral da vítima decorreu na quarta-feira, sob medidas de segurança reforçadas dado que o homicida ameaçou também o filho mais velho. Não perdoava ter tomado o partido da mãe na separação do casal originada por múltiplos episódios de violência doméstica.

Após deixarem de viver juntos, há largos meses e com os dois filhos já adultos, as ameaças subiram de tom. Henrique Carvalho nunca aceitou que a mulher o pudesse deixar, não admitia o divórcio. Conhecidos da vítima contam, em declarações ao Jornal de Notícias, que terá chegado a pedir ao patrão da mulher para a despedir. Para ela ficar mal e ter de recorrer ao companheiro novamente.

Oito tiros

Existiam processos judiciais por violência doméstica - Henrique tinha sido condenado este ano num processo sumário a uma pena suspensa - e Ana Maria Melo era tratada como uma vítima, dispondo do botão de pânico. Mas na sexta-feira, dia 14, não houve hipótese de acionar a teleassistência. Era 08.30 quando Ana Maria e uma amiga seguiam para o trabalho na Fumeiros Porfírio. De repente, são surpreendidas por Henrique Carvalho.

Saiu do esconderijo atrás de vegetação e mal deu a cara, começou a injuriar Ana Maria e a disparar. Foram oito tiros, com a arma a ser recarregada para mais disparos. Ana Maria foi atingida na cara por vários dos projéteis. A colega de trabalho ainda foi ferida numa perna, ao ser atingida de raspão. Com a ex-mulher prostrada, morta, Henrique ainda atirou para cima do corpo um saco de papéis. Eram os papéis do divórcio que recusava assinar.

Depois do crime, o homem desapareceu. Vivia atualmente sozinho, estava desempregado e cuidava dos seus animais domésticos. Em Lalim, há medo. Já se conhecia o caráter vingativo de Henrique Carvalho e teme-se que possa alargar o seu desejo de vingança. O filho mais velho, de 34 anos, tem proteção policial e nem se deslocou ao funeral da mãe. Foi ameaçado de morte pelo pai e vive dias de grande angústia.

Henrique Carvalho deixou o carro junto à residência, não estará a usar o telemóvel - localizável pela polícia - e está armado. Conhece bem a região, com muita serra e locais onde se possa refugiar. É uma das hipóteses que as autoridades têm como provável: ainda estar na zona, escondido nalgum local. Com os dias a passar, contudo, torna-se mais complicado passar incógnito.

Palito andou 34 dias em fuga

O caso tem semelhanças com o ocorrido há seis anos, quando Manuel Baltazar, conhecido como Manuel Palito, matou duas mulheres (a ex-sogra e a tia da ex-mulher) e feriu a tiro a filha e a ex-mulher, em abril de 2014, em São João da Pesqueira. O homem, que tinha 61 anos na altura do crime, fugiu e andou semanas a monte. Mas nunca saiu da região onde vivia.

As buscas nas redondezas não surtiram efeito durante 34 dias até que a PJ percebeu que Palito andava na zona e deslocava-se mesmo à sua habitação, em Valongo dos Azeites, concelho de São João da Pesqueira. Foi detido na casa e, em 2015, acabou condenado à pena máxima de 25 anos de prisão.

Contudo, a personalidade de cada indivíduo é diferente e não se sabe se Henrique Carvalho permanece na região ou se ainda está vivo dado ser frequente o suicídio em indivíduos que cometem homicídio conjugal. A PJ coordena a operação pela sua localização, com apoio de dezenas de elementos da GNR.

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