Morreu Celso Madeira, o homem da retaguarda que permitia às notícias acontecer

Celso Madeira foi durante muitos anos o responsável pela secretaria da redação do Diário de Notícias. Faleceu esta sexta-feira, vítima de doença prolongada. Na memória de todos está a sua voz a perguntar pelo rádio dos carros aonde estavam as equipas.

Os jornalistas que trabalharam nas últimas décadas no Diário de Notícias não poderiam exercer a sua profissão cada vez que saíam em serviço exterior, por exemplo, sem a ajuda de Celso Madeira, o responsável pela secretaria de redação do Diário de Notícias. Essa é uma entre as muitas situações que vem logo à memória de quem exercia a profissão e conviveu com ele ao saber-se que faleceu esta sexta-feira.

É o caso da jornalista Maria Augusta Silva que, durante grande parte da sua vida profissional, lidou de perto com Celso Madeira e que o recorda como um grande e indispensável camarada do Diário de Notícias.

Também o jornalista José António Santos lamentou a morte de Celso Madeira, que entrou dois anos antes dele ao serviço do jornal e que sempre esteve presente durante a sua atividade. Para José António Santos, o "Celso era uma figura genuína, tanto pela capacidade de trabalho como pela inteira disponibilidade e manifestou-se uma peça imprescindível na feitura diária do jornal."

Na opinião de todos, considera José António Santos, "assegurava com brio o suporte da redação e era um trabalhador inestimável em competência e zelo", e "revelou uma faceta muito importante para o Diário de Notícias, a de perceber muito bem a natureza do serviço de uma redação e a exigência da notícia no sentido da urgência, tanto que nunca se poupou a esforços para encontrar os meios necessários para a redação." Conclui: "O Celso Estava na retaguarda de uma forma que permitia que as notícias pudessem acontecer."

Este perfil de Celso Madeira é reconhecido por toda a redação que conviveu com ele, como testemunha o atual diretor interino do DN, Leonídio Paulo Ferreira: "O Celso para mim, que o conheci quando entrei como estagiário para o DN em 1992, era o homem que fazia funcionar a máquina do jornal. Fosse um crime, fosse a cobertura de uma campanha eleitoral, era a ele que competia arranjar carro para a dupla redator/fotógrafo, computador portátil, também avançar com dinheiro para eventuais despesas de alimentação e alojamento. Na era pré-telemóvel, era também através do sistema de rádio instalado nos carros e na secretaria de redação que se conseguia comunicar para Lisboa a partir de qualquer ponto do país. Sabíamos sempre que o Celso estava à escuta. Era um grande profissional, sempre no apoio aos jornalistas."

Celso Madeira iniciou a sua vida no Diário de Notícias muito novo, em 1967, tanto que muitos dos jornalistas mais antigos lembram-se de o ver de calções nos seus 13 anos. Começou como ascensorista do elevador principal do DN, tendo depois dado início a uma carreira nos serviços administrativos, que culminou como responsável pela secretaria do apoio à redação durante muitos anos, até à sua saída em 2004.

Na memória de todos está ainda a voz de Celso Madeira nos altifalantes dos carros do DN, quando queria saber onde estava a equipa e perguntava: "Atenção Martins" "Atenção Albuquerque"...

O funeral realiza-se este sábado, pelas 15.30, no cemitério do Lumiar, em Lisboa.

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