Luís Grilo foi morto com um tiro na cabeça, revela PJ. Mulher foi detida

O atleta terá sido morto no dia 15 de julho, no domingo anterior a Rosa Grilo ter comunicado o seu suposto desaparecimento

Luís Grilo foi atingido por um disparo de "arma de fogo na caixa craniana", o qual lhe terá provocado a morte, avança a Polícia Judiciária. No comunicado em que dá conta da detenção dos presumíveis autores do homicídio, a PJ diz que os suspeitos são mulher e o cúmplice, com quem aquela tinha uma "relação próxima".

Segundo informações a que o DN teve acesso, a bala ficou alojada na cabeça do atleta pelo que a causa da morte foi descoberta na altura da autópsia. Foi a partir daí que os investigadores viraram as atenções para os mais próximos do triatleta, tendo acabado por deter "uma mulher, de 43 anos, e um homem, de 42, por fortes indícios da prática de crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e detenção de arma proibida".

A mulher é Rosa Grilo, casada há mais de uma década com Luís Grilo - o casal tem um filho de 12 anos. O engenheiro informático e atleta de triatlo, de 50 anos, esteve 39 dias desaparecido, tendo sido encontrado morto mais de um mês depois da família dar o alerta.

A investigação apurou que os factos terão ocorrido no passado dia 15 de julho, domingo. Só no dia seguinte, Rosa Grilo participou o desaparecimento do marido às autoridades, supostamente após ter saído de casa para um treino de ciclismo.

O corpo veio a ser encontrado e identificado a 24 de agosto, no concelho de Avis, tendo as diligências efetuadas pela Polícia Judiciária, "com a relevante contribuição do Laboratório de Polícia Científica, permitido concluir pelo envolvimento de ambos os detidos, os quais mantinham uma relação próxima", lê-se no comunicado.

A polícia diz ainda que recuperou a arma de fogo presumivelmente utilizada na prática do homicídio, bem como "outros elementos de relevante valor probatório".

Os detidos serão presentes na sexta-feira a primeiro interrogatório judicial, no qual serão sujeitos à aplicação das medidas de coação processual adequadas.

O engenheiro informático era descrito como uma "pessoa simples", sem problemas de dinheiro ou familiares. O corpo foi encontrado no lugar de Covões - a cerca de vinte quilómetros da casa de família da mulher, em Benavila (Avis) - com um saco preto do lixo na cabeça, nu, braços abertos, vítima de "crime violento", como descreveu então a Polícia Judiciária.

Crime terá acontecido na casa de família, em Cachoeiras

O atleta tirou o curso superior à noite, durante o dia trabalhava numa oficina, disse ao DN a sogra de Luís Grilo. Já licenciado, montou a pequena empresa de informática Gsystem, em Alverca, onde Rosa Grilo trabalha como administrativa. A mulher nunca fechou o escritório, nem quando comunicou o desaparecimento do marido, nem após o corpo ter sido encontrado, o que contribuiu para aumentar as suspeitas dos investigadores.

Os pais de Luís Grilo moravam em Cachoeiras, uma aldeia de poucas casas, em Vila Franca de Xira. Foi ali que Luís e a mulher, Rosa, compraram uma casa "há 13 anos", confirmou a sogra do atleta, para quem Luís Grilo "era como um filho". Terá sido nessa casa, uma vivenda de dois andares, que Luís Grilo foi morto.

O casal conheceu-se em Alverca, onde Rosa cresceu. Foi Luís Martins, habitante em Santo António de Alcórrego, quem encontrou o cadáver em cima de um monte de areia. Chamada, a GNR de Avis, ao perceber que o cenário encontrado configurava um crime, contactou a Polícia Judiciária. Nesse mesmo dia, 24 de agosto, uma sexta-feira, o tio de Luís Grilo, irmão do pai de Rosa Grilo, foi ouvido pela Judiciária. Não sabia de nada. Não encontrava justificação para o corpo do sobrinho aparecer a 140 quilómetros do local de onde tinha desaparecido.

A família de Benavila disse esta quinta-feira estar "chocada" com a detenção de Rosa Grilo e do seu cúmplice. O menor, filho do casal, um menino de 12 anos, foi retirado de casa na quarta-feira, ainda decorriam as perícias da PJ, por familiares.

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