Juiz Carlos Alexandre suspende sessões do processo Hells Angels

As sessões foram adiadas por tempo indeterminado. Em causa está o sistema eletrónico Webex, usado nos tribunais, que não está a reunir as condições necessárias para avançar com os trabalhos.

O juiz Carlos Alexandre decidiu adiar as sessões do processo Hells Angels por tempo indeterminado, incluindo o debate instrutório, avança a SIC Notícias. Em causa está o Webex, o sistema eletrónico usado nos tribunais, que segundo o magistrado não está a reunir as condições necessárias para prosseguir com o julgamento.

Carlos Alexandre vai aguardar pelas medidas que serão anunciadas no parlamento em relação aos prazos judiciais para remarcar as diligências que faltam.

De recordar que o processo tem 89 arguidos do grupo motard Hells Angels. Os motards foram acusados por vários crimes, entre os quais associação criminosa, homicídio na forma tentada, ofensas à integridade física qualificada, tráfico de droga e posse ilegal de armas.

Foram reunidas provas que o MP considera suficientemente fortes para levar a julgamento estas quase nove dezenas de arguidos. Nos últimos anos, concluíram os investigadores, usaram a violência e ameaças para impor, pelo medo, o seu domínio, entre as organizações de motards e na segurança da noite.

O seu financiamento era, alegadamente, resultante do tráfico de droga, bem como de casos de extorsão.

Há várias nacionalidades entre os acusados: alemã, sueca, inglesa, holandesa e romena.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República elencou todos os crimes que sustentam a acusação: associação criminosa, homicídio qualificado, na forma tentada, ofensa à integridade física qualificada, extorsão qualificada, dano qualificado com violência, roubo, tráfico de estupefacientes, detenção de armas e munições proibidas, bem como consumo de estupefacientes.

A PJ reconheceu que a investigação e as dezenas de detenções tinham sido "uma machadada na organização do grupo", que estava a ser monitorizado há 17 anos, desde que se instalou em Portugal. Quando a diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ, Manuela Santos, fez estas declarações, em julho de 2018, em conferência de imprensa, tinham acabado de ser presos 56 membros dos "Anjos do Inferno".

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