Um National Geographic à portuguesa num campo de férias para miúdos

Observar aves, ver falcões a caçar, saber mais sobre a vida de raposas, coelhos e lebres, aprender a reconhecer a voz e as pegadas de várias espécies. É uma pequena parte da experiência que 30 crianças tivera no primeiro campo de férias sobre Caça, Gestão Cinegética e Biodiversidade em Portugal.

O que podem os miúdos aprender sobre a vida animal num campo de férias sobre caça? Muito. Armados de binóculos, blocos de notas e muita vontade de conhecer a verdadeira vida no campo, foi isso que fizeram 30 crianças com idades entre os 6 e os 14 anos que passaram a última semana na Herdade da Barroca D'Alva, em Alcochete. O primeiro campo de férias sobre Caça, Gestão Cinegética e Biodiversidade promovido em Portugal, organizado pela ANPC - Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade, chegou ao fim nesta sexta-feira e deixou um monte de crianças felizes e conscientes das especificidades da vida e do ecossistema dos mais diferentes animais.

"Os sorrisos de todos os participantes falavam por si, ao mesmo tempo que se desdobravam a contar tudo o que aprenderam nos últimos dias: tudo sobre as espécies cinegéticas nacionais, assim como as espécies protegidas, a importância da preservação da natureza e biodiversidade, o papel da caça como ferramenta de controlo de populações e epidemias, como é feito o treino de cães de caça, e um sem número de outras informações e atividades relacionadas com campo e a realidade rural, que muitas destas crianças nunca tinham tido oportunidade de experimentar", resume António Paula Soares, que lidera a ANPC e que faz uma avaliação muito positiva da iniciativa.

O entusiasmo da pequenada é fácil de entender. Pela primeira vez, os miúdos tiveram, por exemplo, a oportunidade de fazer um passeio noturno pela paisagem única de Barroca d'Alva, de lanterna na mão, em busca de espécies sobre as quais haviam antes aprendido. Incluindo raposas, lebres e coelhos, e todo o tipo de aves.

Outro momento especial aconteceu no último dia do acampamento, quando os miúdos tiveram oportunidade de participar em algo único: um atelier de iniciação à falcoaria que lhes permitiu aprender, observar e até pegar em falcões e açores, vendo-os depois em ação, numa demonstração de como é feita a caça ao faisão e à perdiz com falcões.

Durante a semana, houve ajnda tempo para aulas práticas de observação de fauna, ateliers de gestão cinegética, tiro com arco, aulas de treino de cães para caça, sessões com veterinários do INIAV - que ensinaram sobre as espécies cinegéticas, em particular o coelho-bravo - e com o conceituado especialista de observação de aves António Cláudio Heitor, para saberem reconhecer sons e pegadas de aves de caça e aves protegidas.

Tendo o programa sido coordenado pela ANPC, esta primeira edição teve o apoio oficial da CAP, do ICNF, do INIAV, da Associação Portuguesa de Falcoaria, do Treinador de cães Vítor Silva - Canil da Maralha, do observador de aves António Cláudio Heitor e da equipa de instrutores de tiro com arco da Proflecha. O objetivo foi construir um programa aberto e diversificado, de forma a dar aos mais pequenos um quadro da realidade da vida no campo, numa altura em que há "uma tendência de afastamento e desconhecimento da população em geral e das crianças em particular da realidade do mundo rural, do campo e do contacto com a natureza e de todas as atividades relacionadas com a mesma", explicou ainda António Paula Soares.

A experiência foi tão bem sucedida que já ficou a promessa de repetir a iniciativa. Para o ano, haverá novo campo de férias, promete a ANPC - e dado o êxito da estreia, provavelmente será preciso mais do que uma semana...

Ler mais

Exclusivos

Premium

DN Life

DN Life. «Não se trata o cancro ou as bactérias só com a mente. Eles estão a borrifar-se para o placebo»

O efeito placebo continua a gerar discussão entre a comunidade científica e médica. Um novo estudo sugere que há traços de personalidade mais suscetíveis de reagir com sucesso ao referido efeito. O reumatologista José António Pereira da Silva discorda da necessidade de definir personalidades favoráveis ao placebo e vai mais longe ao afirmar que "não há qualquer hipótese ética de usar o efeito placebo abertamente".