Rapto e violação no Seixal: menina ajudou PJ a identificar agressor

Com apenas sete anos, a menina raptada e violada no Seixal, surpreendeu os inspetores da PJ ao descrever e identificar o homem que a levou. Já tinha tentado o mesmo com outra criança há duas semanas

Passaram quase 48 horas do momento em que uma menina foi raptada e violada por um homem, habitualmente embriagado, que a levou de um parque infantil no Seixal. De acordo com as últimas informações recolhidas pelo DN, a Polícia Judiciária (PJ) sabe quem é o agressor e tem montada uma caça ao homem naquela zona, com o apoio da PSP.

A identificação do suspeito foi feita com a ajuda da própria menina que, apesar dos seus sete anos, surpreendeu os inspetores da Judiciária, descrevendo e reconhecendo o seu agressor através de imagens que lhe foram mostradas.

O suspeito, de origem cabo-verdiana, era conhecido na zona por se embriagar frequentemente, tem entre 30 a 40 anos e não seria conhecido da família da vítima, esta de origem são-tomense. De acordo com fonte que está a acompanhar a investigação, o suspeito já tinha abordado há duas semanas outra menina na mesma zona, mas foi apanhado a tempo por residentes. No entanto, nenhuma queixa chegou à polícia.

No sábado pelas 18 horas, o homem aproximou-se da criança quando esta brincava com dois primos mais velhos, um com nove, outro com oito anos, num parque infantil da localidade de Amora, no Seixal. A mãe tinha-se ausentado por instantes com o filho mais novo, com poucos meses, que terá tido um problema. O parque é frequentado pelos residentes, com muitas crianças, sem registos de incidentes.

Ouvidas agora as testemunhas da situação de há 15 dias e juntando a descrição, quer da menina, quer dos seus primos, a policia conseguiu identificar o agressor e obter informações junto à sua família.

Conforme o DN noticiou, a criança só foi encontrada por um popular na madrugada de domingo, cerca das cinco da manhã. Foi entregue à PSP e levada ao hospital para fazer exames médicos que confirmaram que tinha sofrido a violação.

(Atualizado ás 17:45)

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.