Portugal volta a ter mais bebés em 2018, mas ainda são muito poucos

Nasceram 80 484 crianças nos primeiros 11 meses de 2018, mais 1107 do que em igual período de 2017. O que significa que o número de nascimentos volta a subir no ano que agora termina.

Até 30 de novembro nasceram 80 484 bebés, o que aponta para um aumento de 100 crianças por mês comparativamente a 2017. São recém-nascidos que fizeram o "teste do pezinho" entre o 3.º e o 6.º dia de vida, uma recolha de sangue para rastrear doenças metabólicas.

Este ano, nasceram em média 7300 crianças por mês, com outubro (8300) e agosto (8044) a registarem o maior número de nascimentos. Já fevereiro (6199) e março (6376) são os meses que menos contaram para o aumento da natalidade.

O distrito de Lisboa (23 803) tem praticamente um quarto dos nados-vivos, o que é bem exemplificativo da concentração demográfica no país. Em segundo lugar, surge o Porto, mas com quase metade, (14 491).

Os recém-nascidos estudados no âmbito do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce (PNDP), vulgarmente conhecido pelo "teste do pezinho", indicam dois distritos em terceiro lugar na contribuição para a natalidade: Braga (6 172) e Setúbal (6 027). Num quarto bloco encontramos um distrito do centro, Aveiro com 4 097, e outro do sul, Faro, com 4 016 nados-vivos.

O interior de Portugal está envelhecido e vai continuar, já que os seus distritos continuam a registar taxas baixas de natalidade, com Bragança (550 recém-nascidos) e Portalegre (642) a serem aqueles onde nascem menos bebés.

A boa notícia é que a natalidade em geral volta a aumentar, depois de ter descido de 87 126 (2016) para 86 154 (2017). Mas os anos que bateram no fundo foram 2014 (82 367) e 2013 (82 787).

Os dados do "teste do pezinho" são coordenados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, através da sua Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética, do Departamento de Genética Humana, Não é um teste obrigatório - pode sempre haver mais nascimentos do que testes - mas tem uma taxa de cobertura de 100% e, por isso, é o principal indicador da natalidade em Portugal.

Foi em 2011 que nunca mais se recuperou a meta dos 100 mil nascimentos por ano. Nesse ano nasceram 96.856 bebés e em 2012 baixou dos 90 mil para nunca mais recuperar. Daí que esta variação de mil nascimentos, apesar de ser uma boa notícia, é praticamente irrelevante em termos estatísticos. Ou seja, é impossível dizer que há uma recuperação da natalidade, há na verdade apenas uma variação positiva.

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