PJ recuperou analgésico desaparecido: afinal nunca tinha saído do armazém

As 430 embalagens, com 10 unidades injetáveis cada uma, tinham sido dadas como desaparecidas no passado dia 7, dos armazéns de um distribuidor grossista. Trata-se de um medicamento, classificado como droga, usado em anestesias.

A Polícia Judiciária (PJ) localizou, no próprio armazém onde tinham sido dadas como desaparecidas, as 430 embalagens de Fentanilo Basi, um opioide potente usado em anestesias gerais. Para já, "não há indícios" de que este desaparecimento tivesse sido resultado de "prática criminosa dolosa", mas a "falta de controlo no armazenamento" deste produto pode configurar uma prática negligente - confirmou ao DN fonte desta polícia.

A PJ comunicou a situação ao Infarmed, a autoridade nacional responsável por "regular e supervisionar os setores dos medicamentos de uso humano", que deve apurar também as responsabilidades.

Segundo o comunicado da Judiciária divulgado este sábado, "perante os elementos apurados não se procedeu à constituição de qualquer arguido". No entanto, frisou ao DN o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, Artur Vaz, "a investigação vai prosseguir para total esclarecimento dos factos" - designadamente se houve ou não dolo neste "desaparecimento".

As 430 embalagens, com 10 unidades de solução injetável por ampola cada uma, estavam guardadas no armazém de um distribuidor grossista, no norte do país, e foi também nesse local que a PJ os encontrou. Dados os efeitos potentes do analgésico, da família dos opioides, este está enquadrado na Lei da Droga.

O inquérito-crime conduzido pela PJ pretende "determinar as circunstâncias do desaparecimento do medicamento", que é 50 vezes mais forte do que a heroína, e tem o apoio da Diretoria do Norte.

As embalagens estão apreendidas pela PJ até todos os factos estarem rigorosamente apurados.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.