'Hacker' Rui Pinto fica em prisão domiciliária na Hungria

Rui Pinto foi presente a um juiz esta sexta-feira e está em prisão domiciliária deste o início da manhã.

Rui Pinto, o 'hacker' que foi detido na Hungria, fica em prisão domiciliária, confirmou ao DN o advogado francês William Bourdon. Rui Pinto foi esta sexta-feira presente a um juiz, depois de ter sido detido na quarta-feira suspeito de crimes de extorsão qualificada na forma tentada, acesso ilegítimo, ofensa a pessoa coletiva e violação de segredo. A defesa já avançou com um recurso para reverter a medida de coação decretada pelo juiz, sabe o DN.

Carlos Cabreiro, o diretor da Unidade de Combate ao Cibercrime da Polícia Judiciária, disse ao DN que não tinha conhecimento da decisão do juiz húngaro.

A defesa do ciberpirata confirmou ontem, quinta-feira, que Rui Pinto está ligado ao Football Football Leaks, que tem divulgado informação sobre os negócios sujos do futebol em toda a Europa, e que "as autoridades portuguesas (...) ter-se-ão precipitado na detenção do seu cliente".

Em comunicado, os advogados Francisco Teixeira da Mota e William Bourdon alegam que as autoridades portuguesas podem ter sido influenciadas pelas alegações da Doyen Sports, um fundo de investimento que financia passes de jogadores e que foi a primeira vítima do hacker português, em 2015 - data em que a Polícia Judiciária começou a investigá-lo. Rui Pinto acedeu aos sistemas informáticos da empresa e pediu dinheiro (entre 500 mil e um milhão de euros) para não os divulgar - o que configurará o crime de extorsão que lhe está imputado pelo Ministério Público (MP).

"Não temos conhecimento formal de qual foi ou não o contributo do suspeito para a Football Leaks. Em Portugal cometeu crimes, que estão solidamente sustentados e terá de responder por eles. Terá oportunidade de explicar tudo o que fez quando abrir o jogo sobre a sua motivação, o que nunca fez até agora, apesar de não terem faltado oportunidades", explica outra fonte próxima da investigação, refutando qualquer "precipitação" ou "pressão".

Em Portugal, Rui Pinto é suspeito de ter acedido à correspondência eletrónica do Sporting, do FC Porto e do Benfica - tendo este último caso dado origem ao processo conhecido por e-mails do Benfica e depois à investigação e-Toupeira.

A defesa de Rui Pinto vai tentar impedir a sua extradição da Hungria, mas as autoridades portuguesas não acreditam que tal possa ser possível. A detenção teve a intervenção da Eurojust, agência europeia de cooperação judicial, com a colaboração das autoridades húngaras.

Foi também utilizado um novo instrumento de cooperação, designado DEI - Decisão Europeia de Investigação -, que vem substituir as morosas cartas rogatórias e permitir que a detenção possa concretizar-se no próprio dia da emissão do mandado, como foi o caso.

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