GNR usa terrenos da sua Escola para sucata de carros (com fotos)

Mais de quatro dezenas de carros, jipes e carrinhas degradados e avariados estão depositados no Centro de Formação de Portalegre, localizado no coração desta cidade alentejana

As imagens assemelham-se a uma autêntica sucata a céu aberto - ou cemitério de viaturas - e não deixam de causar muita estranheza a quem passa pelo Centro de Formação da GNR em Portalegre, no coração da cidade. Trata-se de cerca de quatro dezenas de carros, jipes e carrinhas avariados ou para abate do Comando do distrito, que se foram acumulando nos terrenos desta Escola, causando uma triste imagem de degradação.

O irónico é que a situação pode constituir mesmo uma infração ou crime ambiental, tendo em conta que não são cumpridas as regras previstas para a armazenagem dos veículos em fim de vida (decreto-lei 196/2003), nem o regime de gestão de resíduos - em cuja fiscalização tem um importante papel o Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR.

Neste caso, como o Centro de Formação se encontra na cidade de Portalegre, a fiscalização teria de ser feita pela PSP. Contactadas esta força de segurança sobre se tinha havido alguma denúncia ou se tinha sido realizada alguma inspeção ao local, foi remetida uma resposta para mais tarde.

Confrontado pelo DN com a situação de uma alegada sucata ilegal em plena zona de formação dos novos guardas, o comando-geral da GNR não esclareceu o motivo para que este parque automóvel degradas tenha sido ali colocado.

O Comando Territorial de Portalegre, dirigido pelo coronel Papafina Vivas, tem atribuídas 160 viaturas, tem cerca de 40 avariadas e para abate. De acordo com números recolhidos pela Associação de Profissionais da Guarda (APG), cerca de 19% do total de veículos têm entre 8 a 12 anos e as restantes mais de 12. Recentemente, foram entregues a este comando cinco carros novos, mas logo foi denunciado que estes tinham ficado ao serviço dos oficiais e não para reforçar os patrulhamentos.

Segundo a associação, o parque automóvel deste Comando tem "um número de viaturas insuficiente" e os poucos que existem "encontram-se inoperacionais por carecerem de reparação". A APG sublinha que está em causa, não só " a segurança dos profissionais" como "a própria imagem da Guarda".

António Barreira, dirigente desta associação, lembra que a GNR "tem que acorrer a situações em que quem pratica o crime possui meios muito mais sofisticados", frisando que a situação passa "uma ideia de ineficácia que não é desejável" e que "não corresponde ao brio e empenho" dos profissionais.

"O ministro da Administração Interna diz que nunca houve tanto investimento nas forças de segurança, mas no terreno isso não se sente, pelo contrário", diz António Barreira. "Exemplo disso é a sucata de viaturas em fim de vida que se encontra no Centro de Formação da GNR de Portalegre", sublinha.

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