Costa espera que fim da greve seja possível. "A esperança é a última a morrer"

O primeiro-ministro, depois da reunião semanal com o Presidente da República, manifestou o desejo que a reunião entre o Governo e o sindicato dos motoristas de matérias perigosas termine com a desconvocação da greve. António Costa gostava de "ir de fim de semana com este problema resolvido".

"É de sublinhar a solidariedade dos portugueses", que manifestaram "um civismo exemplar", disse esta sexta-feira o primeiro-ministro depois da reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. "A verdade é que há uma semana se achava que o país podia parar. O país não parou, o país continua a funcionar normalmente", afirmou. António Costa fez um apelo para que o último sindicato que está em greve possa desconvocar a paralisação.

"O desejo é que este esforço final consiga levantar a última greve em curso e que seja possível um diálogo", disse o primeiro-ministro aos jornalistas referindo-se à reunião entre o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que começou às 16:00. "Queremos entrar nesta segunda quinzena de agosto sem preocupações".

O chefe do Governo manifestou o desejo de "ir de fim de semana com este problema resolvido". "Ainda não foi concluído o trabalho, mas a esperança é a última coisa a morrer", disse sobre a reunião no Ministério das Infraestruturas que, às 19:50, ainda estava a decorrer.

Primeiro-ministro deseja o fim da greve e que o "diálogo seja possível"

Costa acredita que no fim da paralisação e que "o diálogo seja possível", tal como aconteceu com o Sindicato dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que também estava em greve e que na quinta-feira chegou a acordo com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram). Também a Fectrans, estrutura sindical afeta à CGTP que não aderiu à greve dos motoristas, chegou a acordo com a Antram.

Em Belém, o primeiro-ministro expressou "gratidão" às Forças Armadas e às Forças de Segurança "pela forma exemplar como têm desempenhado as suas funções" na greve dos motoristas, que, disse, tem "um custo muito significativo" para os portugueses. "É importante que as pessoas percebam que os contribuintes têm suportado um custo muito significativo", afirmou.

Questionado sobre as críticas do presidente do PSD que acusa o governo de "alarmismo" na sociedade portuguesa e de promove um "circo mediático", o primeiro-ministro referiu que "algumas pessoas" têm estado ausente e que por isso não entendem a atuação do Governo na greve dos motoristas.

"O dr. Rui Rio fez a opção de estar ausente, usar o seu legítimo direito a férias e, porventura, não terá acompanhado com a devida atenção tudo aquilo que o Governo tem feito ao longo destas semanas, para prevenir o conflito", afirmou.

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