Administração do Hospital de São João demite-se

Conselho de administração diz que na origem da renúncia está o facto de o mandato ter terminado no dia 31 de dezembro.

A administração do Hospital de São João, no Porto, entregou um pedido de renúncia à tutela.

"O mandato do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de São João terminou a 31 de dezembro de 2018. Em consequência o CA apresentou a renúncia de modo a facilitar a sua substituição da forma mais rápida possível", explicou a instituição numa nota de imprensa enviada ao DN.

Segundo o comunicado, "foram estes os únicos fundamentos que estiveram na base do pedido de renúncia".

De acordo com a informação avançada pela RTP, na origem da renúncia estará, no entanto, o desagrado com as cativações do Ministério das Finanças, a falta de recursos humanos e técnicos e a degradação das condições de trabalho.

Em julho, o presidente do Conselho de Administração admitiu demitir-se se a verba destinada à construção da nova ala pediátrica daquele hospital - que há mais de oito anos funciona em contentores provisórios - não fosse desbloqueada pelo Governo dentro de um mês.

Ao DN, Cecília Meireles, vice-presidente do CDS-PP, adiantou que o partido "vai chamar a ministra da Saúde, bem como o Conselho de Administração do Hospital de São João" ao Parlamento, pois está "muito preocupado com mais esta demissão" no setor da Saúde.

"Há anos que o CDS chama a atenção para a situação muito difícil da Saúde, em particular dos hospitais. No Hospital de São João, a situação é particularmente difícil. Parece-nos que o Governo tem de vir, o mais depressa possível, explicar o que está a acontecer", afirmou Cecília Meireles.

Entretanto, o Ministério da Saúde já confirmou a renúncia de funções do Conselho de Administração daquele centro hospitalar.

"O Ministério da Saúde teve conhecimento do pedido de renúncia do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de São João, na sequência do término do mandato a 31 de dezembro. É um mecanismo que está previsto na Lei", escreveu o ministério em comunicado, citado pela Lusa.

No documento, o ministério diz que tem dialogado com o conselho de administração no âmbito da resolução do processo da ala pediátrica, "reconhecendo o empenho do presidente em criar condições para a transferência dos doentes pediátricos para as instalações do hospital".

A situação em que se encontra a ala pediátrica levou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a passar o dia de Natal com as crianças internadas naquela unidade de saúde. No mesmo dia, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que as obras da nova ala pediátrica deveriam arrancar este ano e ficar concluídas em 24 meses.

No passado dia 03, o hospital indicou que a obra da ala pediátrica era para começar no início do segundo semestre, prevendo-se para abril a transferência provisória da pediatria oncológica, atualmente em contentores, para o edifício central.

Há dez anos que o Hospital de São João tem um projeto para construir uma ala pediátrica, mas desde então o serviço tem sido prestado em contentores.

Recorde-se que, em outubro, dois diretores do Centro Hospitalar de São João pediram a demissão dos cargos que ocupavam "por falta de recursos". Primeiro Álvaro Silva, até então diretor do Serviço de Cirurgia Plástica, e depois João Viterbo, diretor do Serviço de Anestesiologia.

A RTP adianta, ainda, ter confirmado que o presidente da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), José Carlos Caiado, pediu a demissão em outubro e deveria ter sido substituído a 30 de novembro, mas isso não aconteceu. A instituição está, assim, sem presidente desde dezembro.

Notícia atualizada às 22.45

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