Nove bombeiros feridos na Sertã

No incêndio na Sertã, nove bombeiros e um habitante ficaram feridos, dois dos quais com gravidade. Em Valpaços, o fogo destruiu três casas, levou as autoridades a evacuar uma aldeia e alastrou-se ao concelho vizinho de Chaves.

Nove bombeiros e um civil sofreram esta sexta-feira ferimentos durante o incêndio que está a lavrar no concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.

Segundo disse ao DN fonte do Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Castelo Branco, "dois feridos foram considerados graves pelo INEM". São bombeiros que "foram transportados de helicóptero" para uma unidade hospitalar, revela a mesma fonte.

O presidente da Câmara da Sertã, José Farinha Nunes, disse à Lusa que já arderam "pelo menos mil hectares" de floresta.

"A situação está agora [às 22:10] mais calma e parece que as coisas poderão ser controladas. Há máquinas de rasto no terreno a abrir aceiros. O receio está no dia de amanhã por causa dos ventos que estão previstos", sustentou. O autarca adiantou ainda que, para já, não há quaisquer localidades em risco nem tão pouco se coloca a hipótese de proceder a evacuações.

O incêndio que deflagrou pelas 14:50 na localidade de Marmeleiro, concelho da Sertã, "continua ativo", afirmou. Uma casa devoluta ardeu. O CDOS de Castelo Branco refere que "há muita rotatividade do vento", o que está a dificultar o combate às chamas. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, às 21:45 estavam no terreno a combater as chamas 518 operacionais, apoiados por 159 viaturas.

Três pessoas com mobilidade reduzida foram retiradas da localidade de Cumeada, "por precaução", disse à Lusa o CDOS de Castelo Branco.

Na localidade de Cumeada, as pilhas de madeira armazenadas no exterior de uma fábrica foram atingidas pelas chamas, sem que as instalações estejam em perigo: "A fábrica está protegida", adiantou fonte do Comando Distrital de Operações e Socorro de Castelo Branco.

O fogo está a lavrar em zona florestal "com intensidade" e tem-se aproximado das localidades de Cardiga Cimeira, Albergaria e Bernardia.

"Para já não está prevista a evacuação de localidades, sendo que os bombeiros têm feito um esforço adicional para proteger as habitações, as pessoas e bens", afirmou.

A EN2 continua cortada nos dois sentidos entre Vila de Rei e Sertã por "precaução" e para permitir o trabalho dos bombeiros no terreno.

Incêndio leva a evacuação de aldeia em Valpaços e alastrou a Chaves

O Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Vila Real aguarda um "reforço de meios operacionais" para combater o "difícil incêndio" de Valpaços que está ativo desde as 13:36 e que obrigou a evacuar uma aldeia.

"Esperamos reforços de meios de Lisboa, Porto, Viseu, Guimarães ou Braga para nos ajudarem no difícil combate às chamas", disse à Lusa fonte do CDOS.

Neste momento, o fogo tem três frentes ativas, uma delas no concelho vizinho de Chaves, que é a mais preocupante, referiu a fonte. Os trabalhos assentam agora na defesa do perímetro da aldeia de Gondar, em Chaves, sublinhou.

O maior obstáculo no combate às chamas é a intensidade do vento, o que poderá causar reacendimentos de focos de incêndio

A aldeia de Valongo, no concelho de Valpaços foi evacuada e pelo menos três casas destruídas pelo incêndio que está a ser combatido por 400 bombeiros, apoiados por 121 viaturas e que durante a tarde contaram com seis meios aéreos, adiantou à Lusa fonte da câmara.

Duas pessoas acamadas, habitantes em localidades de Valpaços atingidas pelo fogo, foram retiradas das habitações pela Cruz Vermelha Portuguesa.

Acrescentou ainda que o pavilhão desportivo de Valpaços poderá ser aberto durante a noite caso seja preciso retirar pessoas das suas casas e realojá-las.

A aldeia de Celeirós poderá ser também evacuada devido ao fogo, acrescentou a fonte.

Mais de 300 operacionais no combate a incêndio em Miranda do Corvo

Um incêndio em povoamento florestal no concelho de Miranda do Corvo, distrito de Coimbra, deflagrou às 18:22, de acordo com a página da Internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

No terreno, às 20:47, estavam mais de 300 elementos, apoiados por quase 100 viaturas.

A Lusa constatou no local que não existe nenhuma povoação em perigo, apesar da proximidade às localidades de Póvoa da Pedreira e Casal Fato, da União de Freguesias de Semide e Rio de Vide.

Duas pessoas feridas em Paredes

Duas pessoas sofreram hoje ferimentos ligeiros nas operações de combate a um incêndio florestal na zona de Gandra, concelho de Paredes, disse à Lusa fonte da proteção civil distrital, que afirmou desconhecer as circunstâncias da ocorrência.

Segundo a fonte, os feridos pertencem à Afocelca, equipa de prevenção e combate aos incêndios florestais criada por empresas do setor florestal.

O incêndio começou cerca das 13:15 e lavrava, às 15:30, em zona de mato, havendo equipas de bombeiros junto a zonas habitacionais e fábricas, a título preventivo.

As operações de combate envolviam àquela hora 119 operacionais, apoiados por 35 viaturas e três meios aéreos.

Suspeito do incêndio de Odemira detido

A GNR identificou um homem por suspeitas de ter provocado de forma negligente o incêndio florestal que consumiu 195 hectares e causou a morte de 34 cabeças de gado esta semana no concelho de Odemira, foi anunciado esta sexta-feira.

Fonte da GNR explicou à Lusa que "o incêndio teve origem negligente, na sequência de trabalhos de corte com uma rebarbadora" realizados pelo homem, de 66 anos.

A GNR refere em comunicado enviado à Lusa que, após o alerta de incêndio, que deflagrou na terça-feira, na zona da Cova da Zorra, na freguesia de São Luís, militares da força de segurança deslocaram-se ao local, onde procederam a diligências de investigação e detetaram o ponto inicial de ignição. O homem foi identificado na terça-feira.

Segundo a GNR, que remeteu os factos para o Tribunal Judicial de Odemira, o incêndio consumiu uma área de 195 hectares composta por sobreiros, azinheiras, medronheiros, mato e pasto, e causou a morte de 34 cabeças de gado, entre vacas, ovelhas e porcos, "em consequência das queimaduras sofridas e da inalação de fumos".

O incêndio deflagrou na terça-feira, por volta das 14:00, e tinha sido dado como dominado na quarta-feira, cerca das 09:00, mas na quinta-feira teve uma reativação, às 11:47, que acabou por ser dominada no mesmo dia, às 14:53.

Jovem de 17 anos detido

Em matéria de combate aos incêndios, a Polícia Judiciária (PJ) deteve um adolescente de 17 anos, já com antecedentes criminais, por suspeita da prática de um crime de incêndio florestal em Penalva do Castelo e Mangualde, divulgou esta sexta-feira fora de segurança.

"A Polícia Judiciária, através da diretoria do Centro, com a colaboração do Núcleo de Proteção Ambiental da GNR de Mangualde, deteve um adolescente, de 17 anos, pela presumível prática de um crime de incêndio florestal, ocorrido no dia 7 do corrente mês", no distrito de Viseu, refere o comunicado.

Segundo a nota, o suspeito ateou um foco de incêndio numa zona florestal com pinheiros e mato, próximo de habitações e de um lar de idosos.

"Ardeu uma área florestal considerável" e o incêndio "teria proporções mais gravosas caso não tivesse havido uma rápida intervenção dos populares, elementos da junta de freguesia e bombeiros locais", esclarece a polícia.

Segundo a PJ, em causa estará "um quadro de perturbação psicológica".

"O suspeito já tinha antecedentes pelo mesmo tipo de crime, contudo, à data dos anteriores factos era inimputável em razão da idade", refere. Vai ser presente a primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

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