300 pessoas subiram o Chiado contra o fascismo. Menos de um décimo chamou por Salazar

"Lisboa não é fascista" ou "fascismo nunca mais" foram algumas das palavras ouvidas esta sexta-feira à tarde na Baixa

"O capitalismo alimenta o racismo e o fascismo para nos dividir, não deixemos que alastrem pelos nossos bairros e entrem nas nossas vidas". Este era o mote para uma manifestação marcada para esta sexta-feira, às 18:30, no Rossio.

O protesto foi convocado através das redes sociais pela Plataforma Antifascista de Lisboa, mas também através de cartazes colocados nas ruas e em algumas faculdades de Lisboa.

Luís Batista, de 29 anos, e membro da Plataforma Antifascista de Lisboa (PAFL), que congrega várias associações e coletivos contra o fascismo, racismo, xenofobia e violência doméstica, contou ao DN que a manifestação começou a ser organizada há cerca de duas semanas. "Soube hoje que estão aqui representadas 57 associações".

A iniciativa desta sexta-feira, segundo disse ao DN Luís Batista, visava ser uma "resposta à manifestação de extrema-direita" prevista para a mesma hora no Largo do Rato - com vista a descer a Rua de São Bento até à Assembleia da República.

À hora marcada, tinham chegado entre 300 e 350 pessoas (números não oficiais fornecidos pela PSP) que rumaram na direção do Largo Camões, gritando palavras de ordem como "Lisboa não é fascista", "fascismo nunca mais" ou "não esquecemos nem perdoamos". Havia cartazes com o rosto de Alcino Monteiro, mas também contra o racismo, o fascismo, e até contra os despejos. A organização fala em 500 manifestantes.

Os antifascistas também têm medo

Escoltada por vários agentes da polícia, com motas, carros e agentes a monitorizar o percurso, foi uma manifestação pacífica, apesar de muitos turistas terem ficado assustados, sobretudo com os rostos tapados de alguns dos manifestantes.

"Tapam o rosto porque aqui somos muitos, mas sozinhos pode ser perigoso. Sabemos bem o que já aconteceu no passado", disse o membro da PAFL.

No final, e após duas horas debaixo de chuva - a manifestação começou no Rossio e subiu até à Praça de Camões - disse que "foi duro, mas foi bonito".

Devido ao mau tempo, a organização decidiu cancelar os concertos previstos para as 20h30.

Nos degraus cimeiros junto à estátua de Luís de Camões, pediu-se: "O Estado que se defina, ou é antirracista ou não é antirracista. Queremos conhecer os nossos inimigos", mas também se apelou à "justiça para os meninos negros e ciganos" e prometeu-se que "o combate contra a extrema-direita - que se está a alastrar pela Europa - vai continuar. Salazar não faz falta e se alguém acha que faz, que vá ter com ele".

O protesto referido [da extrema-direita] resumiu-se, no entanto, a duas dezenas de pessoas (entre eles, o conhecido líder de extrema-direita Mário Machado). Um pequeno número de pessoas - tal como tinha acontecido numa iniciativa semelhante em defesa dos polícias - que sob vigilância policial desceu a Rua de São Bento e esteve, frente ao Parlamento, a apelidar-se o "novo futuro de Portugal" e a elogiar Salazar.

Com RSF

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