Capitão do porto de Cascais detido por violência doméstica. Foi exonerado

Capitão-tenente, que chefiava também a Polícia Marítima do concelho, é arguido por violência doméstica sobre a mulher, médica da Marinha. Foi detido pela PSP após ter alegadamente agredido a companheira há duas semanas.

O capitão-tenente Rui Pereira da Terra foi exonerado do cargo de comandante do Capitania do Porto de Cascais após ter sido detido pela PSP por suspeitas da prática de crime de violência doméstica, em que a vítima, a sua mulher, integra também os quadros da Marinha.

O ex-comandante da Capitania de Cascais, que estava no cargo desde 2017, foi detido pela PSP na sequência de uma situação de violência doméstica. Terá agredido a mulher e chamado a atenção de vizinhos que alertaram a PSP. Segundo apurou o DN, passou mesmo uma noite sob detenção até ser presente a um juiz. Constituído arguido, ficou em liberdade sob medidas de coação relativas ao contacto com a alegada vítima. Trata-se da sua mulher, uma primeiro-tenente médica infecciologista da Marinha que exerce nos Hospital das Forças Armadas. O casal tem três filhos.

A decisão de exoneração foi tomada pelo Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, que é o topo hierárquico da Autoridade Marítima Nacional (AMN), no dia 26 de março, através de uma portaria, tendo no dia seguinte sido nomeado o atual comandante da Capitania do Porto de Lisboa, o capitão de mar e guerra João Coelho Gil, para a chefia de Cascais, acumulando o comando das duas capitanias. Rui Terra deixou também o cargo de comandante da Polícia Marítima de Cascais, que é um órgão de investigação criminal.

Sem processo disciplinar

Contactada pelo DN, a Marinha confirmou a exoneração, notando que foi efetuada a pedido do seu oficial, e também a nomeação do comandante da Capitania de Lisboa para acumular Cascais, afirmando tratar-se de "um ato administrativo interno",

"Na sequência de um facto pessoal ocorrido, o Capitão-tenente Pereira da Terra, decidiu pedir a exoneração do cargo de Capitão do Porto de Cascais, o qual foi de imediato aceite, em 26 de março de 2020, evitando assim qualquer impacto nas importantes funções de Capitão do Porto e na imagem da Autoridade Marítima Nacional", respondeu a AMN, entidade que é o topo hierárquico das tarefas a executar pela Marinha, pela Direção-Geral da Autoridade Marítima e pelo Comando-Geral da Polícia Marítima, em âmbito nacional, nos espaços de domínio público e marítimo.

Para já, não há procedimento disciplinar em curso e o capitão-tenente permanece ao serviço na Marinha. A AMN "continua a acompanhar o evoluir da situação, sendo que, na eventualidade de ocorrer algum facto em âmbito judicial que exija uma avaliação, esta será oportunamente efetuada", foi a resposta por escrito enviada ao DN.

Em março, quando já vigorava o estado de emergência no país, a PSP comunicou a ocorrência à AMN e é esse o conhecimento que a entidade diz ter do caso. O processo-crime está em fase de inquérito e a Marinha irá aguardar os desenvolvimentos. Só tomará outras medidas após uma comunicação do Ministério Público, que pode ser uma acusação ou arquivamento dos autos.

Poucos dias antes desta exoneração, Rui Terra ainda assinava editais na Capitania do Porto de Cascais. Agora, na página de internet da AMN, já consta João Coelho Gil como comandante da Capitania do Porto de Cascais.

Rui Pereira da Terra tem 41 anos e cresceu na Horta, nos Açores, onde se distinguiu depois como velejador. Somou vários títulos na Vela enquanto adolescente e nos anos seguintes ao serviço do Clube Naval da Horta. Está na Marinha desde 1997 e como oficial foi comandante de várias embarcações militares. Na sua folha de serviços constam vários louvores, medalhas e distintivos.

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