Um arquivo(.pt) para não perdermos a memória da Internet em Portugal

Estão abertas as candidaturas para projetos que recorram ao serviço que armazena as páginas de internet antigas em Portugal. Há quinze mil euros para três ideias sobre memória web.

Sabe aquele site que tanto gostava de seguir e que nunca mais viu? E aquele artigo de um jornal que leu online há uns anos e que não há maneira de encontrar novamente? E informações sobre a Expo "98? E notícias detalhadas sobre as presidenciais de 1996, as legislativas de 1999 ou as europeias de 2004?

Se pesquisar num motor de busca irá encontrar alguns dados sobre estes acontecimentos. Mas se pesquisar em Arquivo.pt é bem possível que encontre... quase tudo o que alguma vez esteve alojado em sites nacionais relacionado com estes assuntos. Ou, pelo menos, um enorme manancial de informação sobre estes e outros momentos marcantes da história de Portugal nos últimos vinte anos.

É aí, nessa morada virtual gerida pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que estão armazenados (quase) todos os sites portugueses que já não estão online, em milhões de gigabytes de informação. À primeira vista, poderia parecer que tinham desaparecido da internet mas, no fundo, era só uma questão de saber onde os procurar.

"O Arquivo.pt é um convite ao conhecimento e à informação na área do digital", disse ontem o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no lançamento oficial dos prémios associados a esta estrutura de investigação. A iniciativa visa reconhecer trabalhos inovadores que demonstrem a utilidade do site ao mesmo tempo que chamam a atenção para a importância de preservar e utilizar a informação publicada na web para fins de memória, investigação e estudo. "Vejam bem o mundo que se abre em termos de pesquisa com uma ferramenta destas", acrescentou o chefe de estado.

"O Arquivo.pt é um Google para o passado", diz Daniel Gomes, gestor do projeto criado em 2007. Atualmente tem acesso gratuito e o serviço é sobretudo utilizado por jovens universitários e académicos que procuram fontes - datadas - de informação fidedigna e ali encontram boa parte do que procuram. Mas a ideia é alargar o âmbito o mais possível à sociedade civil. "Se era crítico em 2007, hoje é cada vez mais, devido ao rápido processo de mudança tecnológica", disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor, na mesma cerimónia.

Os prémios Arquivo.pt, que no ano passado contaram com 27 projetos apurados para a fase final, deverão ver o número de candidatos aumentar em 2019. É pelo menos essa a expectativa de Daniel Gomes. "A informação online não se pode perder porque é o útil para nós e para as gerações futuras. Com este prémio esperamos estimular e alertar para isso mesmo."

As candidaturas estão abertas até ao dia 3 de maio e os resultados deverão ser divulgados em julho, nos encontros nacionais da ciência, a decorrer em Lisboa. Depois de pré-selecionadas, o júri, composto por Teresa Salema (presidente da Fundação Portuguesa das Comunicações), pela empresária Sandra Isabel Correia, por João Castro (diretor do Digital Business Knowledge da Nova SBE) e por Paulo Farinha (chefe de redação da DN Ócio e DN Life) irá escolher os três principais projetos: o primeiro classificado recebe dez mil euros, o segundo recebe três mil e o terceiro dois mil euros.

As candidaturas deverão recorrer ao Arquivo.pt como fonte principal de informação e desenvolver o trabalho em função da ideia de memória web e da importância de olhar e preservar o passado da internet em Portugal.

Pode ver aqui mais informações e consultar o regulamento

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG