"Adeus, Capitão!". Morreu Teófilo Bento, o militar que ocupou a RTP no 25 de Abril

A missão do capitão do Exército foi liderar a tomada das instalações da RTP, no Lumiar.

Morreu esta quarta-feira, aos 75 anos, Teófilo Bento, Capitão de Abril. A missão do capitão do Exército Teófilo Bento no dia 25 de abril de 1974 foi liderar a tomada das instalações da RTP, no Lumiar.

Em comunicado, a Associação 25 de Abril, da qual foi sócio fundador, recordou essa ação "sendo a primeira das ações operacionais a ser executada com êxito (tudo começou a parecer mais fácil, ao Otelo e seus companheiros do Posto de Comando na Pontinha, ao receberem a comunicação de que "Mónaco" estava tomado, sem incidentes), viria a revelar-se de primordial importância, para o sucesso alcançado, nessa maravilhosa madrugada libertadora", lê-se no texto.

"Deixa-nos um genuíno Capitão de Abril, de todos os tempos, sempre fiel aos valores que nos lançaram na epopeia coletiva, de que o Teófilo, os seu camaradas da EPAM e todos nós nos continuamos a orgulhar", diz ainda a nota.

Francisco Seixas da Costa, antigo oficial miliciano, foi uma das figuras ligados à revolução que manifestou a sua homenagem a Teófilo Bento, recordando, numa "nota de saudade", o então Coronel do Exército quando este o chamou a participar no movimento.

"O capitão Teófilo Bento surgiu um dia na parada do quartel com um megafone. Estávamos nos primeiros meses de 1974, na Escola Prática de Administração Militar (EPAM), na Alameda das Linhas de Torres, em Lisboa, a unidade que, tempos depois, na madrugada de 25 de abril, iria ser a primeira a sair para a rua, para tomar o objetivo estratégico que eram os estúdios da RTP.

Lembro-me de alguns de nós termos estranhado o inusitado uso daquele aparelho nas mãos do Bento, porque nada em particular o justificava. Creio que a ninguém passou pela cabeça ligar o uso do aparelho a uma revolução que estivesse ao virar da esquina. Porém, esse megafone iria ser a sua imagem de marca no 25 de abril", lê-se no testemunho.

"Ó Seixas da Costa, preciso de falar consigo!" E como se fosse a coisa mais natural do mundo, foi adiantando: "Você estaria disponível para entrar numa ação militar para deitar abaixo o regime?" ou uma frase parecida", recorda Seixas da Costa.

"O Bento foi um "puro", um homem bom, com grande humor e forte sentido solidário. Estava, desde há não muitos anos, recolhido num lar, de onde um dia me telefonou, quando por aqui o referi num texto", escreveu ainda o antigo diplomata.

De acordo com o comunicado da Associação 25 de Abril, "por vontade do próprio", não haverá velório. O corpo será cremado, na quinta-feira, na presença dos familiares mais próximos.

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