Um verão de várias cores

Brevemente Portugal terá mais um sinal de regresso à "normalidade": a abertura da Época Balnear 2021. E quando se fala em época balnear a ideia de praia vem à mente, assim como a imagem da bandeira azul que continua a crescer pelas praias do país.

A bandeira azul é apenas um mote para o enfoque num dos setores mais importantes do país: o Turismo. Portugal tem uma linha de costa invejável e a possibilidade de aumentar o leque da oferta turística, para o mercado interno e externo, firmando o crescente contributo do setor para a economia nacional.

A manutenção do sistema de semáforos nas praias e a aplicação "infopraias" asseguram as condições para que - à semelhança de 2020 - sejam evitados amontoados de pessoas no areal mais próximo. Vislumbra-se assim uma entrada no verão em segurança, permitindo aos concessionários das praias recuperar negócio e manter o seu papel em termos de cooperação no controlo da pandemia.

Este também será o momento para Portugal continuar o seu caminho de diferenciação. O nosso produto turístico deverá ser capaz de estabelecer um equilíbrio entre oferta massificada e produtos de "nicho". A dimensão do país não permite privilegiar a primeira em detrimento da segunda. Há já bons indícios de o estar a fazer, mas é preciso mais.

A aposta no desenvolvimento de oferta especializada e diferenciada só se acentuará com recurso, sobretudo, a uma maior qualificação profissional. E aí Portugal tem dado passos de gigante. Basta rever a Estratégia Turismo 2027, um dos primeiros planos a longo prazo criado para o setor. O documento espelha e denomina as pessoas como o "Ativo Único Transversal", segmentando os restantes eixos entre "ativos diferenciadores, qualificadores e emergentes".

Hoje competimos num mercado aguerrido e ávido de visitantes. Neste momento, o posicionamento português é privilegiado. Por exemplo, entramos na "lista verde" de países do Reino Unido. De fora ficaram alguns dos nossos principais concorrentes, como França, Grécia ou Itália. As circunstâncias alteraram-se de modo inimaginável e a forma como os países lidaram e estão a lidar com o controlo da pandemia é chave para a recuperação.

São vários os estudos que apontam fortes reticências do consumidor ao modelo de mobilidade futura. A preferência por destinos menos povoados ou a escolha de países que responderam eficazmente à pandemia, com bons sistemas de saúde, são alguns dos elementos apontados pelo "novo" turista.

O preço não será o principal aspeto a ter em conta, isto porque se apurou que 68% dos turistas mudaram as suas perceções. Aspetos como a qualidade, experiência, segurança e higiene, originalidade ou abrangência assumiram-se como preponderantes. Quem o diz é o estudo Covid-19 The Impact On Nation Brands elaborado pela Bloom Consulting e D2-Analytics.

O que nos caracteriza enquanto povo é uma enorme habilidade para superar as arduidades e aí fazer uso da resiliência e criatividade. Arrisco a afirmar que estamos numa encruzilhada entre dar um salto evolutivo para a frente ou estagnar num novo normal. O futuro sempre foi construído como um resultado do coletivo, mas hoje é-o ainda mais. Para que o calor do Verão seja um aliado, cabe a cada um fazer uma gestão exímia dos excessos.

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