Vinte anos de reinado na história de uma nação e de um relação

A celebração do XX aniversário da entronização de Sua Majestade o Rei Mohammed VI, no dia 30 de julho de 2019, que é um momento caro para toda a Nação marroquina, é também a ocasião para festejar em Lisboa, com a comunidade marroquina e todos os amigos de Marrocos neste magnifico país amigo, Portugal, a amizade profunda e os laços sólidos que unem os nossos dois países e os nossos dois povos.

Este XX aniversário marca uma etapa importante na história contemporânea de Marrocos. São 20 anos de reinado dedicados, no alvorecer do século XXI, a colocar decididamente Marrocos na via da modernidade, do desenvolvimento económico, social e ambiental e na consolidação do Estado de Direito.

O desenvolvimento e a metamorfose de Marrocos tiveram por base a vontade de um crescimento endógeno, explorando ao máximo o potencial de Marrocos, a sua posição geoestratégica única, a sua abertura internacional, colocando as forças vivas da Nação, as suas gentes e os seus jovens, ou seja, o elemento humano, no coração desta politica, concretizada através da chamada Iniciativa Nacional para o Desenvolvimento (INDH), projeto de um reinado. Esta iniciativa teve como vasto programa o desenvolvimento das infraestruturas e dos serviços de base, a inclusão social e a redução das desigualdades, tocando todos os aspetos de desenvolvimento de uma nação.

Esta vontade de desenvolvimento, conscienciosamente conduzida, refletiu-se principalmente, na construção de infraestruturas importantes, rodoviárias, ferroviárias, portuárias e aeroportuárias e o estabelecimento de uma verdadeira malha de zonas industriais integradas de produção e de exportação, gerando crescimento, criação de empregos e prosperidade.

Este desenvolvimento foi também acompanhado por uma melhoria da atividade do país, permitindo acolher os líderes mundiais e europeus do sector do automóvel e da aeronáutica, só para citar alguns exemplos, que são os mais emblemáticos.

Estas empresas líderes encontraram em Marrocos, e mais precisamente em Tânger Med, que se tornou o maior porto do Mediterrâneo e de África, o quadro mais adequado para o seu desenvolvimento e projeção a nível internacional. A infraestrutura ferroviária ficou mais fortalecida com a linha de comboio de Alta Velocidade, que liga a capital económica Casablanca a Tânger no Estreito, às portas do mercado europeu. As energias renováveis, com as estações Noor de energia solar, que se posicionam como as mais importantes a nível mundial e os diversos parques eólicos, permitiram reduzir a dependência energética do Reino e sobretudo a sua pegada de carbono.

A realização destas infraestruturas, a capacidade de levar a cabo os projetos de grande envergadura, com uma experiência nos mecanismos financeiros complexos, testemunham a credibilidade de Marrocos na cena internacional. Além disso, Marrocos conduz este desenvolvimento garantindo a realização e o respeito pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Esta politica é também articulada com uma maior presença de Marrocos na cena internacional, nomeadamente no seu próprio continente, pelo regresso do Reino ao seio da União Africana, mas também uma mais forte implicação na cooperação económica com os países parceiros e amigos africanos, segundo uma abordagem de codesenvolvimento, com prevalência para as empresas de telecomunicações, bancos e seguradoras, do agroalimentar e da construção e obras públicas.

São assim, 20 anos consagrados à construção de uma cooperação Sul-Sul, solidária e empenhada, de Marrocos com os seus parceiros e irmãos africanos para desencadear um desenvolvimento endógeno, portador de riqueza e de bem-estar para o continente africano.

Esta data é ainda mais simbólica, dado que celebramos, este ano, o 25. aniversário da assinatura em 1994 do Tratado de Amizade e Boa Vizinhança entre Marrocos e Portugal com nada menos de 13 reuniões de Alto Nível que permitiram construir um quadro abrangente de acordos cobrindo os mais diversos domínios e estimulando uma cooperação efetiva, nos planos diplomático, económico e cultural.

Devemos recordar que em 1957, Marrocos foi o primeiro país árabe e africano a abrir uma representação diplomática em Lisboa. E muito antes disso, essas relações tinham sido seladas no Século XVIII por um Tratado de Comércio e de Navegação, e anteriormente os dois países trocavam missões diplomáticas.

"Os dois países estão longe de serem estrangeiros um para o outro e tudo os aproxima". Esta citação de Sua Majestade, o falecido Rei Hassan II, descreve o estado das relações entre os dois países, e define a trajetória da sua evolução.

Esta trajetória é confirmada pelo empenho de Sua Majestade o Rei Mohammed VI, em desenvolver ainda mais a relação entre os dois países, como foi afirmado por ocasião da visita oficial do Presidente da República Portuguesa, S. E. o Senhor Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, a Marrocos, em junho de 2016.

A excelência das relações entre Marrocos e Portugal reflete, pois, o percurso de duas grandes nações que partilham, não só uma História comum, mas também uma visão comum sobre os desafios do futuro e as várias questões que lhes são impostas pelas suas posições geográficas. Essas relações são, portanto, alimentadas pela confiança mútua, compreensão e visão comuns sobre muitos assuntos de interesse comum.

No plano económico, os números falam por eles próprios. A evolução observada dos intercâmbios comerciais durante as duas últimas décadas, reflete as potencialidades que existem e as oportunidades que se oferecem às duas economias.

As trocas comerciais entre os dois países evoluem num sentido muito positivo, o investimento direto português em Marrocos, está em progressão. O crescimento do comércio entre os dois países, assim como a complementaridade nos domínios do automóvel ou do têxtil, atraiu numerosas empresas portuguesas que aí encontraram um motor de crescimento e uma oportunidade para desenvolver a sua competitividade a nível internacional.

O projeto de interconexão energética, que ligará Marrocos a Portugal e a linha marítima direta entre o Sul de Portugal e os portos marroquinos, que se apresenta hoje como uma necessidade, são dois exemplos eloquentes que permitirão a consolidação de uma relação decididamente virada para o futuro e ilustram o nível de desenvolvimento e de maturidade das relações de cooperação entre Marrocos e Portugal num domínio altamente estratégico.

Os nossos países devem trabalhar ainda mais, hoje em dia do que ontem. As notáveis e recentes evoluções e mudanças porque passaram oferecem oportunidades extraordinárias para que, em conjunto possam ir mais além, conquistar novos mercados e consagrar à sua complementaridade, um lugar estratégico que se afirma em diversos domínios.

Embaixador do Reino de Marrocos

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