Período de Adaptação

Os mais distraídos podem não ter reparado, mas nos intervalos das conferências de imprensa de Bruno de Carvalho têm passado alguns anúncios que dão conta do arranque do Mundial.

Este é ainda um período de adaptação. Nem me refiro aos atletas, mas a nós, adeptos, que temos de organizar a vida de forma a podermos ver um Egito-Uruguai à hora de almoço e reformatar o cérebro para torcer por jogadores que antes insultámos. Temo gritar, a meio de um jogo, "é vermelho para o Rúben Dias". Mas isto passa, e rapidamente estarei pronta a jurar ao Gelson "cu bo ti fim de mundo", mesmo sabendo que ele é jogador do... Benfica(!?).

Também Gelson e companhia estão a adaptar-se à nova condição de desempregados (se souberem de algum biscate, avisem) e Cristiano a habituar-se à ideia de ser, até ver, subordinado de Lopetegui.

Já a adaptação à Rússia acredito que seja fácil. Ao contrário do que aconteceu no último Mundial, não há problemas de humidade. Se perdermos não podemos citar Henrique Jones e culpar o "índice de suspeição lesional" (sempre achei que isto dava um grande título para uma série da Daniela Ruah). Teremos de pensar noutra desculpa. Ah, sim, esqueci-me de avisar: sou pessimista.

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DN+ O sentido das coisas

O apaziguamento da arena de conflitos em que perigosamente tem sido escrita a história das relações entre as potências no ano corrente implica uma difícil operação de entendimento entre os respetivos competidores. A questão é que a decisão da reunião das duas Coreias, e a pacificação entre a Coreia do Norte e os EUA, não pode deixar de exigir aos intervenientes o tema dos valores de referência que presidam aos encontros da decisão, porque a previsão, que cada um tem necessariamente de construir, será diferente no caso de a referência de valores comuns presidir a uma nova ordem procurada, ou se um efeito apenas de armistício, se conseguido, for orientado pela avaliação dos resultados contraditórios que cada um procura realizar no futuro.

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Os floristas da Rua da Alegria, no Porto, receberam uma encomenda de cravos vermelhos para o dia seguinte e não havia cravos vermelhos. Pediram para que lhes enviassem alguns do Montijo, onde havia 20, de maneira a estarem no Porto no dia 18 de julho. Assim foi, chegaram no dia marcado. A pessoa que os encomendou foi buscá-los pela manhã. Ela queria-os todos soltos, para que pudessem, assim livres, passar de mão em mão. Quando foi buscar os cravos, os floristas da Rua da Alegria perguntaram-lhe algo parecido com isto: "Desculpe a pergunta, estes cravos são para o funeral do Dr. João Semedo?" A mulher anuiu. Os floristas da Rua da Alegria não aceitaram um cêntimo pelos cravos, os últimos que encontraram, e que tinham mandado vir no dia anterior do Montijo. Nem pensar. Os cravos eram para o Dr. João Semedo e eles queriam oferecê-los, não havia discussão possível. Os cravos que alguns e algumas de nós levámos na mão eram a prenda dos floristas da Rua da Alegria.

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DN+ Quem defende o mar português?

Já Pascal notava que através do "divertimento" (divertissement) os indivíduos deixam-se mergulhar no torpor da futilidade agitada, afastando-se da dura meditação sobre a nossa condição finita e mortal. Com os povos acontece o mesmo. Se a história do presente tiver alguém que a queira e possa escrever no futuro, este pobre país - expropriado de alavancas económicas fundamentais e com escassa capacidade de controlar o seu destino coletivo - transformou 2018 numa espécie de ano do "triunfo dos porcos". São incontáveis as criaturas de mérito duvidoso que através do futebol, ou dos casos de polícia envolvendo tribalismo motorizado ou corrupção de alto nível, ocupam a agenda pública, transformando-se nos sátiros da nossa incapacidade de pensar o que é essencial.