Período de Adaptação

Os mais distraídos podem não ter reparado, mas nos intervalos das conferências de imprensa de Bruno de Carvalho têm passado alguns anúncios que dão conta do arranque do Mundial.

Este é ainda um período de adaptação. Nem me refiro aos atletas, mas a nós, adeptos, que temos de organizar a vida de forma a podermos ver um Egito-Uruguai à hora de almoço e reformatar o cérebro para torcer por jogadores que antes insultámos. Temo gritar, a meio de um jogo, "é vermelho para o Rúben Dias". Mas isto passa, e rapidamente estarei pronta a jurar ao Gelson "cu bo ti fim de mundo", mesmo sabendo que ele é jogador do... Benfica(!?).

Também Gelson e companhia estão a adaptar-se à nova condição de desempregados (se souberem de algum biscate, avisem) e Cristiano a habituar-se à ideia de ser, até ver, subordinado de Lopetegui.

Já a adaptação à Rússia acredito que seja fácil. Ao contrário do que aconteceu no último Mundial, não há problemas de humidade. Se perdermos não podemos citar Henrique Jones e culpar o "índice de suspeição lesional" (sempre achei que isto dava um grande título para uma série da Daniela Ruah). Teremos de pensar noutra desculpa. Ah, sim, esqueci-me de avisar: sou pessimista.

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...