Walkman: há 40 anos a música rebobinava-se com uma caneta!


Há 40 anos eu tinha... acabado de nascer! Esperei por isso cerca de 13, talvez 14 anos, para ter o meu primeiro Walkman, um dos produtos de maior sucesso da Sony. Surgia assim uma nova forma de apreciar música de alta qualidade, em qualquer lado, em qualquer momento. E não sou eu que digo, era a própria Sony que usava e abusava desta frase para promover o seu Walkman, que vendeu nada mais nada menos que 400 milhões de unidades em todo o mundo.

A primeira aparição deste maravilhoso gadget, idealizado por Nobutoshi Kihara, foi a 1 de Julho de 1979. E 14 anos depois, lá estava eu a gravar músicas da rádio, com grande mestria mas também com enorme expectativa e por vezes irritação! Pois quando o locutor falava pelo meio das músicas lá saiam dois palavrões e um murro na escrivaninha. Lá tinha então que rebobinar a cassete para se voltar a gravar e então ouvir as minhas bandas favoritas no meu Walkman Sony Mega Bass! Que luxo na altura...

E sim! Cassetes. Esse mítico objecto que por sinal nem todos conhecem. Podia-se andar, literalmente, com a musica na mão. Vá... quase literalmente. Escrevia-se com caneta na tira autocolante o nome da banda ou das bandas que estavam gravadas naquela cassete. Quando estava farto... gravava por cima, o que significava perder parte das músicas. 60 minutos! Ou então 90. Nada mais! Tudo isto era um ritual. E agora?

Agora, ouvimos o que queremos, quando queremos. Mas não andamos com a música na mão. Ou melhor andamos, mas já nem é nossa. São tantas que nem sabemos o que ouvir! Das cassetes aos cd"s, dos cd"s ao iTunes, do iTunes ao Spotify. Tudo no smartphone.

Há 40 anos a música pesava mais e quase não cabia no bolso.

Há 40 anos enfiava-se uma caneta nas cassetes e tentávamos acertar na música que queríamos voltar a ouvir.
E assim é que tinha graça!


Director do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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