Inteligência Artificial: o que aí vem! Ou será, que já chegou?

A utilização crescente de algoritmos de Inteligência Artificial nos processos que cruzam o nosso quotidiano é visível. Está aí. Muitos de nós não queremos é vê-la. Os mundos da criatividade, do direito ou da medicina, deixando a provocação apenas nestes três campos, ainda nem se aperceberam do que aí vem. Ou do que já chegou!

No campo do design então, os métodos de criação ganham um potencial avassalador!

A Inteligência Artificial quando explicada em formato reduzido e simplista, leva-nos a acreditar que vai roubar o emprego a muita gente. Leva-nos a acreditar seremos desafiados e conquistados por robots! Se apontarmos esta equação ao mundo do design, onde opera quem tem a responsabilidade de moldar os hábitos e as crenças do quotidiano, imaginem as potencialidades (ou não, na cabeça de muitos), as capacidades e limites na utilização de um algoritmo na criação de um objecto visual ou tridimensional. Imaginem o impacto no mundo da criatividade, para não falar no mundo da economia...

Atualmente muitos e novos temas são abrangidos pela 4ª Revolução Industrial, que apesar de aparentemente invisíveis, estão largamente presentes nas nossas tarefas diárias. Entre eles a Inteligência Artificial, que traz à tona os pensamentos de Arthur L. Samuel (1962) que expõe a ideia de a Inteligência Artificial poderá destruir a barreira entre as capacidades basilares humanas: a do fazer e a do pensar, sendo este o diferencial entre os humanos e as máquinas. Será mesmo?

Da ficção à realidade, os algoritmos são mesmo capazes de navegar a grandes velocidades por múltiplas e complexas redes de informação, processando e analisando incomensuráveis volumes de dados para nos ajudar em tarefas simples como escolher um filme, ou mesmo em mais complicadas em como investir o meu (pouco) dinheiro. E de que forma? Basta dar uma ordem e um caminho aos algoritmos. Fácil? Aparentemente sim.

Querem ver?

A Adidas lançou em maio de 2019 a linha de produtos 4D (3D+YOU=4D) onde um algoritmo é capaz de produzir, utilizando uma simples impressora em 3D, um par de ténis com uma sola exclusiva, única e personalizada, tendo como base a análise pessoal do indivíduo, cruzando-a com dados recolhidos em mais de 20 anos de interações com o consumidor.

Ou seja, este algoritmo é capaz de controlar a concentração de material aplicado, alterar a sua densidade em diferentes partes, ajustando-se assim às necessidades únicas e específicas de cada atleta, no acto de pisar o chão durante a corrida. Gordo ou magro! Isso agora afinal já importa, porque o meu peso e a minha forma de correr e a minha formação óssea, passam a ser variáveis para a criação dos sapatos que vou usar.

Durante a Milan Design Week de 2019, o designer Phillipe Starck em parceria com a Kartell e a Autodesk, lançou a primeira cadeira do mundo criada a partir da utilização de Inteligência Artificial.

Em 2017, e para ilustrar a participação de algoritmos de Inteligência Artificial no campo do design gráfico, a Ogilvy & Mather Italia criou um projeto de nome Nutella Unica, no qual se utilizou a capacidade da Inteligência Artificial para decifrar, gerar e imprimir imagens exclusivas. Este algoritmo criou (só!) 7 milhões de grafismos diferentes para as embalagens de Nutella para o mercado italiano. Esta acção inspirou mais de 10 mil vídeos de consumidores e vendeu toda a colecção em 30 dias.

Será que comprar um frasco de Nutella ou usar uns Adidas gerados com a ajuda da Inteligência Artificial será o mesmo que ouvir um veredicto ou receber um diagnóstico a uma doença?

Não!

O veredicto será dado com base na análise de casos idênticos.

O diagnóstico será o resultado da examinação de ocorrências semelhantes.

O design quer-se sempre novo! Que funcione. Mas novo.

Designer e Director do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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