O discurso do ódio

A debilitação crescente dos valores que foram assumidos pela criação da ONU, garantindo "dignidade, justiça e direitos" para todos os seres humanos, uma situação que foi obra automaticamente objeto das intervenções do secretário-geral nas instituições, deu relevo a um aviso do historiador britânico Timothy Garton Ash que andam citadas: "Liberdade de expressão não significa que deva ser permitido a qualquer pessoa dizer qualquer coisa, em qualquer lugar e a qualquer momento e, portanto ver como este debate pode ser delicado. Para respeitar o outro e vivermos juntos em paz é preciso impor limites e estar atento ao que se pode e não pode dizer em público."

Esta circunstância levou à condenação frequente de identificar e condenar "o discurso do ódio", embora não se encontre fácil meio de enfrentar tal discurso do ódio, designadamente contra as religiões, mas teve de que se ocupar a Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa, num livro intitulado Consciência e Liberdade (2020). Um dos conflitos que não deixa de animar tal discurso é o que Alain Gresh (Un Chant d'Amour: Israël-Palestine, 2017) resumiu na imprensa com o título: "Guerras sem fim contra os palestinos". Mas é seguramente o conflito, anunciado ou em execução designadamente militar, que orienta no sentido de não considerar "discurso de ódio" o discurso defensivo na inquietante situação da ordem mundial. As intervenções que largamente atingiram o vencido presidente dos EUA algumas vezes suscitaram dúvida se a linha do "discurso de ódio" foi ultrapassada ou se a devoção à justiça natural era dominante... Nesta difícil situação internacional que inspirou o importante discurso do secretário-geral da ONU, esta sua linha parece ser a fronteira da justiça natural, mas, pelo menos, não aparece claro no caso de Israel, nem nos conflitos da Rússia e da China; pela inquietação sobre o real conceito estratégico de cada um desses Estados, que são talvez nem sempre conhecidos pela justiça mas aproximando-se do alarmante discurso do ódio.

Quanto à Rússia, a passada declaração no sentido de que a sua fronteira de interesses ultrapassa a fronteira geográfica, implicou regressar ao estudo do passado regime soviético, influenciando algumas inquietações. Mas nesta data o caso mais exigente de discursos tem ocasionalmente dificuldades do passado. É particularmente exigente de observação o discurso do deputado búlgaro no Parlamento Europeu, Kyushyuk, marcado pela síntese de que "é tempo de compreender que a ditadura chinesa representa uma ameaça para a paz no mundo"; tal como foi o recurso à meditação do sovietismo russo, também agora o discurso do deputado búlgaro, feito na ocasião dos 100 anos do Partido Comunista Chinês, e começando por condenar a repressão das minorias, refazendo com suficiente minúcia a história do regime autoritário chinês, apontando o que entendeu serem erros dos países ocidentais a tal respeito. Tem por demonstrado que da Ásia à América Latina lança as suas fundadas intervenções e chega a impor-se como um interlocutor ouvido. Começam naturalmente por Mao, antigo bibliotecário que se assumiu como líder militar, terminando com um poder totalitário, apontando-o por ferir 30 a 40 milhões de chineses. Não omitiu recordar que quando a União Europeia, em 22 de março de 2021, sancionou uma organização chinesa e quatro responsáveis chineses implicados na repressão dos uigures, Pequim replicava visando quatro organizações europeias, e mais de uma dezena de parlamentares europeus, que tinham sido reconhecidos como apoiando os que lutavam contra o regime totalitário, passando rapidamente à intenção de Deng Xiaoping, que levou a China ao grupo das mais poderosas potências económicas. Mas na tomada do poder pelo presidente Deng Xiaoping, em 2012, as ambições chinesas tornaram-se, disse, mais perigosas, porque terá lançado ambições claras de que "a China não mais escondeu a sua ambição de dominar o mundo, executando intervenções que terão desequilibrado os orçamentos locais.

Finalmente concluiu que "é tempo de compreender que na ditadura que se apoia no controlo da sua sociedade à custa de milhões de câmaras de vigilância, que, depois da criação da violência dos anos de 1920 até à repressão do movimento democrático, ameaçando Taiwan em 1989, e hoje impondo submeter Hong Kong de novo ameaçado e Taiwan o que "representa uma ameaça para a paz do mundo".

O desafio é admitir que as potências aristocratizadas com o direito de veto no Conselho de Segurança caíram no enfraquecimento da ONU, e não possuem estatuto de segurança centrado no que este discurso considera ameaças. Tão desafiantes discursos talvez pudessem implicar reler o projeto de Assis de João Paulo II, que conseguiu fazer convergir para um bem comum que é a paz uma larga assembleia de qualificados técnicos, religiosos, e pensadores, sendo ainda visível a Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa.

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