O arcebispo Tutu

Morreu em 26 de dezembro de 2021, com 90 anos de idade, o autor responsável da intervenção do movimento de Mandela, o arcebispo Desmond Tutu, secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul e um dos mais importantes doutrinadores, no século em que viveu, que a sociedade da África do Sul tivesse direitos iguais para todas as etnias; foi a famosa doutrina do antiapartheid, e o fim da deportação, uma pena que atingia os negros. O mundo reconheceu-lhe o talento e o valor concedendo-lhe os famosos títulos, incluindo o Nobel da Paz, e reconhecimentos universitários. Parece indiscutível que viveu e acabou a vida feliz pelas intervenções, justas e apoiadas em fé religiosa, sobre a dignidade. Talvez as etnias mantenham reuniões da "política de perdão". Vi que presidiu uma grande assembleia, e hoje será lembrado: um gigante membro da polícia, repondo e compreendendo todas as brutalidades com que atingira, em meses distantes, um nativo. Este na esperança, ganha pela idade, recebendo na primeira fila de ouvintes o som das palavras, cego, com uma bengala e apoio familiar. Depois da confusão policial, a interpretação dada da situação definida por Desmond Tutu, este perguntou ao nativo debilitado se, tendo o culpado pedido desculpa e perdão, o que decidiu. O nativo, com uma voz custosa mas por todos ouvida - perdoou. Tão extraordinário que era ignorar a crença que o ilustre bispo Desmond Tutu queria para o seu Estado, e para as etnias sem distinção, quer da sua fé quer da Carta da ONU. A comissão célebre que presidiu chamou-se Comissão de Reconciliação e Verdade, e resolveu adotar pela paz e reconciliação mundial. É fundamental ter sempre na lembrança a amizade e a solidariedade, como foi amigo, partidário e companheiro de Mandela. Este era, talvez, um crente insistindo em negar a santidade, mas talvez o seu amigo bispo não ignorasse esse conceito e comportamento. Mas se havia alguma diferença era verbal, na crença de valores, não de comportamentos. Recordo do rigor que Mandela, no seu último livro, em que nos lega a meditação a que se dedicou no longo encarceramento que impedia que lhe atribuíssem santidade, e recordava que "um santo é um crente que luta até ao fim". Aplicando o conceito ao sonho, anunciou o direito à inclusão posta em dúvida. O que reforça um conceito para o futuro que agora começa, ausência que no planeta seria um perigo, se não houvesse herança fortalecida em vida de ambos é que seria criticável. Está assim o percurso da luta até ao consenso universal, é ainda possível recordar sempre o que recomenda o Dalai Lama: que sigam o Papa. Trata-se de um facto que, sendo diferente nas reformulações verbais, é uma a Declaração de Direitos Humanos, e que com definição da UNESCO, muitas vezes esquecida, é universal quanto ao passado e futuro.

Como já sustentei, em tarefas de maiores cuidados, nas intervenções "o apelo à cooperação e à transcendência também deve ser respeitado, e não apenas tolerado, é o reconhecimento de que os valores religiosos estão nos alicerces da Europa, do Ocidente, e do património comum da humanidade. Uma questão, lembrada por Mandela e Tutu, que deve ser meditada nos EUA por democratas e republicanos. Segundo testemunhou Tocqueville, foi a confissão dos Cherokees: "Pela vontade do nosso Pai celeste que governa o Universo, a raça dos índios da América tornou-se pequena; a raça branca tornou-se grande e famosa. Quando os vossos antepassados chegaram às nossas margens, o homem vermelho era forte e, ainda que ignorante e selvagem, recebeu-os com bondade e permitiu-lhes repousar os seus pés entorpecidos sobre terra firme... O índio era então o senhor, e o homem branco o suplicante. Hoje, tudo mudou - a força do homem vermelho tornou-se fraqueza. Eis-nos aqui os últimos da nossa raça: é-nos também necessário desaparecer?" Esta política recorda nos Estados Unidos a luta entre o Norte e o Sul por causa do fim da escravatura e parece de novo, se não oferecida, parecida à guerra civil interna entre republicanos e democratas, o que seria esquecer não apenas os deveres internacionais, mas também a unidade nacional. A situação complexa da ordem internacional herdou uma longa história de vozes criativas destinadas a tornar eficazes os princípios da justiça natural. Acontece que é mais eficaz conseguir identificar o fracasso das palavras que traduziram as promessas e as crenças do que aceitar a múltipla identidade das causas do fracasso. Na data em que estamos, mais uma vez, as populações tentam melhorar as memórias do passado, tendo o ano novo como referência, para concluir rapidamente que continuamos na efetiva manutenção da violação dos direitos, das obrigações, e frequentemente pela proposta da revolução do Estado conhecido. Merecemos, ou pelo menos beneficiamos da voz de homens como deste bispo Tutu, porque a autenticidade da voz mantém-se.

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