Na área da Educação, apesar das esperanças repetidas, salvo uma excepção ou outra mesmo muito excepcional, sucedem-se anos velhos no que diz respeito às condições do quotidiano escolar e do trabalho com os alunos. Aliás, o que de “novo” podemos encontrar é apenas o progresso expectável do envelhecimento do corpo docente, que não existe máscara carregada de horas extraordinárias que consiga esconder.Depois das expectativas iniciais em relação ao ministro, que não tanto quanto à sua equipa, criada para satisfazer esta ou aquela clientela mais empenhada em ter o retorno do investimento na promoção de algumas figuras, em grande parte devido ao seu discurso mais simples e aparentemente limpo de propaganda, vai-se instalando uma crescente desilusão perante os actos concretos da sua governação.Se ultrapassarmos a questão decidida previamente, acima do seu poder de decisão, da recuperação faseada do tempo de serviço congelado dos professores, sucederam-se os episódios infelizes ao nível da comunicação e a inconsequência na acção. Da “aura” à “degradação dos serviços” quando usados quase em exclusivo por utentes socio-economicamente desfavorecidos (que o spin subsequente apenas serviu para adulterar o pensamento e propostas de um Richard Titmuss a revolver-se onde quer que esteja), tivemos uma sucessão de declarações inconsequentes, durante o primeiro semestre de 2025, sobre o momento da apresentação de números sobre os alunos sem professores, até se perceber que a auditora não tinha sido contratada para esse efeito e o ministro declarar que ficou a saber o que não sabia, de modo quase socrático.No arranque do segundo semestre, tivemos o anúncio de uma reforma estrondosa do Ministério da Educação. Estava o mês de Julho a terminar quando se noticiou uma redução na sua estrutura de “18 para sete entidades, passando de 45 para 27 dirigentes superiores, com menos camadas intermédias e organismos autónomos” (DN, 31 de Julho de 2025). A finalizar o ano, através do Aviso n.º 31219/2025/2 ficámos a saber que a nova mega-Agência para a Gestão do Sistema Educativo, I. P. irá ter uma orgânica com 11 (onze) departamentos e 27 (vinte e sete!) unidades. Ou seja, para 2026, o que temos pode ser “novo”, mas dificilmente parece mais funcional ou simples do que o “velho”. De que adianta reduzir “entidades” se só uma das novas cria duas camadas de estrutura burocrática com quase 40 novos departamentos e unidades? Alguém acredita que isto vai ter algum impacto relevante ou positivo na vida quotidiana das escolas? Penso que nem o mais ferrenho Pai Natal.Entretanto, nada avançou – para além de uma suspensão formal do chamado “projecto MAIA” – na efectiva desburocratização dos procedimentos internos das escolas (que também têm muitas culpas registadas neste cartório), no apoio prometido mais de uma vez ao trabalho dos directores de turma (onde estão os tais “técnicos” que o iriam prestar?) ou sequer numa área que se vai tornando progressivamente mais crítica, que é o da prevenção e gestão da indisciplina nas escolas, para onde deveriam ser canalizados muitos dos recursos humanos que por agora continuam a ser ocupados em múltiplos projectos, clubes, oficinas, etc, cuja auto-avaliação é sempre excelente, mesmo que a maioria dos alunos as ignore.Sim, infelizmente, em matéria de Educação, o ano de 2026 já nasce velho, com todas as mazelas do que se finou e sem nenhum unguento mágico que o alivie.Professor do Ensino Básico. Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico