Frente de (meia) direita

Na semana passada, foi com grande alarde que a comunicação social destacou uma candidatura saída do armário em Lisboa. Leu-se que iria unir uma frente alargada de direita, cujo objetivo era este: retirar a Câmara de Lisboa ao PS.

Na tentativa de ouvir e conhecer as ideias do candidato durante a sua apresentação, foi com pesar que se percebeu que o esforço era recíproco. Nosso, que o tentávamos escutar, e dele, que personificava uma imagem exata de um "frete". O mote está dado e assim começa a corrida.

Contudo, a grande coligação é, afinal, mais do mesmo: uma espécie de meia direita, sem os mais novos partidos desse espetro político nacional, parecendo quase uma coligação de aflitos. De um lado estão os que tentam desesperadamente não desaparecer do mapa político autárquico; do outro figuram os que almejam subir para um qualquer bote salva-vidas, custe o que custar.

Este cenário facilita a compreensão da recusa da outra meia direita. Sim, a que decidiu apresentar candidato próprio e ficar de fora desta coligação angustiada. Sem querer desenterrar o Passado (que a Deus pertence), a verdade é que de Futuro ninguém falou. Tendo em conta a envergadura e endeusamento do anúncio (qual D. Sebastião) esperava-se mais.

Quero acreditar que o entorno desta candidatura cogitativa não peca por falta de ideias. Uma vez que tudo foi "desenrascado" à pressão, o candidato talvez precise de interiorizar que é efetivamente pretendente à Câmara de Lisboa. E quando o fizer, provavelmente, perceberá a dimensão do desafio e a enorme quantidade de ideias postas em prática pelo atual autarca da capital. Feito esse processo, com certeza o candidato conseguirá gizar algumas ideias próprias.

Para ajudar, refiro já alguns exemplos que podem inspirar:a requalificação do Palácio da Ajuda, do Campo das Cebolas, da Frente Ribeirinha ou da Praça de Espanha; a intervenção no amaldiçoado Eixo Central da Cidade; os inúmeros programas de apoio social que têm chegado a milhares de Lisboetas; os mais de 40 milhões de euros em apoios a fundo perdido para o tecido empresarial da cidade ou o investimento na Carris e a manutenção das suas carreiras, são factos que passaram da ideia à prática.

Não obstante, arrisco a dizer que nesta candidatura as ideias pouco importarão. O relevante é que até às eleições se faça campanha para que a viagem prossiga até ao destino final. Como nos lembrou Luís Marques Mendes, o objetivo central do candidato é tornar-se líder da oposição ou, quiçá, do seu próprio partido.

Com meia direita ou não, em Lisboa, a escolha nas autárquicas será simples: votar nos que apenas querem cumprir agenda política e derrubar o PS ou votar em quem quer continuar a construir e preservar Lisboa. A capital é hoje uma cidade cosmopolita, inclusiva e com provas dadas. O trabalho e a obra feita têm de continuar. Não por mero capricho ou desígnio partidário, mas sim para que a orientação estratégica de Lisboa continue a ter nas pessoas e no património o seu expoente máximo.

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