Aumentos ideológicos

Nas refeições em casa, domingo é o dia excecional em que a televisão fica ligada para consumo de informação. Este hábito advém de um legado familiar que se pretende manter e passar às próximas gerações.

No espetro do comentário político-partidário é de lamentar a insipiência de grande parte dos comentadores. Demasiado abstracionismo e fundamentos que assentam mais no "ouvi dizer ou acho que" do que algo em concreto e factual. Ainda assim, a forma fantasiosa como se testemunha tanta teoria (e alguma conspiração) deve dar algum trabalho aos autores.

Os "elefantes na sala" dos últimos dias andaram pelas temáticas da mais e melhor habitação, nesse caso pela boca de quase todos os candidatos às autárquicas, passando ao preço da eletricidade e combustíveis, que caminham para um território próximo da incomportabilidade. Portanto, tudo temas "fáceis" de defender por qualquer político ou comentador de política.

Ao longo de quase meio século de democracia, Portugal ainda não conseguiu resolver o problema da habitação condigna para todos (sendo dos poucos países europeus que faz uso do conceito da interioridade, não o combatendo nessa área). Talvez a questão seja mais ideológica do que estruturante, algo que se verifica também no domínio da energia.

As distintas fases de privatização da EDP representaram um bom encaixe para as finanças públicas e atravessaram diversos governos. Porém, nem todos os parceiros europeus se mostraram disponíveis para esse processo de privatização. Não será preciso recuar muito no tempo para encontrar um resgate num processo semelhante, onde se entendeu estar perante um setor estratégico para o Estado português.

No caso dos combustíveis, como em tantos outros países europeus, há de facto uma considerável carga fiscal. Mas qual o governo que inverteu a legislação que o permite? Fica o apelo à memória. A minha não me trai.

Mais que a crítica gratuita e o apelo ao consenso fácil de baixar impostos ou o preço das commodities, é importante encontrar pontos comuns de entendimento que permitam pactos de regime em direção às soluções para as Famílias e Empresas. Só desse modo se eleva o conteúdo e coerência do debate.

Ao invés de relativizar, por um eventual desconhecimento bacoco, talvez valha a pena analisar o que se passa, por exemplo, nos EUA. De acordo com a EIA, a média nacional do preço da gasolina é ao dia de hoje de 0,73€/litro. Já a energia elétrica situa-se nos 0,09€/kilowatt por hora. Por cá esse número cifra-se no presente em 0,24€/kilowatt.

Portugal tem dado passos largos na sua recuperação económica e social. Por isso não se pretende qualquer crítica, até porque o que se evidencia é transversal a múltiplos governos. E o que se encontra em encontra em funções já fez bastante. Procura-se antes uma reflexão, uma proposta para que os poderes públicos se unam no sentido de resolver problemas do interesse da população e não do poder político.

Só quando todos tiverem assegurados os seus direitos fundamentais será viável prosseguir rumo a uma discussão construtiva e ideal.

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