A paz de 1945 e o risco atual

No fim da tremenda guerra de 1939-1945, a recordação da sua unidade, incluindo a expansão em regra colonial, poderia ter sido recordada a unidade com base na Carta de Capitulação da Alemanha, datada de 8 de maio de 1945. Escrevia-se ali, no primeiro parágrafo, o seguinte: "os signatários agindo em nome do Alto Comando Alemão, declaramos a capitulação pela presente, sem condições, para o Comando Supremo das forças expedicionárias aliadas, e, simultaneamente perante o Alto Comando Soviético, com todas as nossas Forças Armadas da terra, do mar, e do ar, que hoje estão sob o comando alemão". A forma parecia abrir a previsão mais do futuro pacifico, do que do atual presente, porque o dia da paz seria de facto de partida da política divisionária que viria a definir estes grupos, um de Europa ocidental, outro da Rússia Soviética, já na presente época parece severamente em preparação que se passe a combater militarmente. Isto que fora sempre evitado por instituições e acordos, em que se destacam a ONU e a Declaração de Direitos, cooperação e justiça.

A realidade rapidamente mostrou que a redefinição do espaço do Planeta, isolando-se sobretudo a descolonização e a dificuldade de justo convívio das diferentes etnias, o que tudo não tem ainda sinal que tenha sido respeitado. É a experiência histórica de expressão mundial que secundarizava, já com grave evidência neste século, que a ordem e princípios proclamados de todo o Planeta estão em risco, incluindo o direito e a paz que sonharam. Isto afeta o espaço da Carta de Capitulação de 8 de maio de 1945, que exige a maior atenção, autenticidade difícil, porque o risco crescente tem já o projeto mais eficaz, do ponto de vista das hierarquias e condições políticas, na rápida passagem do estalinismo para um estatismo em formas tradicionais que mais acompanham a situação. A evolução que a Rússia conseguiu politicamente em tão pequeno espaço de tempo, e a formulação política de um novo começo estratégico nacional, não implicam a obediência aos projetos de Paz e direito de que a ONU neste momento anceia a gravidade.

No que toca ao território que na Europa dos ocidentais tem enorme atualidade, a Revista Fátima Missionária, procurando como é própria da sua conceção do mundo e da vida, que a "situação do Mediterrânio" exige intervenção eficaz, mas infelizmente é a ordem política mundial, a abandonar o rigor dos valores da ONU, da UNESCO, dos Credos, e da justiça natural, que se encontram abalados face à esperança que devia ser mundializada pela oração. Na própria Rússia, a evolução do estatismo mostrou ter colocado o ponto essencial na afirmação secular de que a 3.ª Roma não cairá. Nesta luta promovida com lógica, é tempo, talvez curto, de as novas gerações que vão ser herdeiras do nosso legado em crescimento para a vida, que não será da geração que hoje exerce o poder, fez compreender o que na Rússia, hoje ameaçadora, com a tentativa com que abriram a luta os responsáveis inovadores do regime, até à data deste século, em que o risco governamental de exercício do poder com nova mudança inquietante, para lá do ataque mundial do Covid-19: basta manterem a atenção à paz de 1945, no julgar a geopolítica que está a incluir na longa lista a política de esperança.

É talvez oportuno lembrar aos atuais detentores do poder de recorrer de novo à guerra, que esse processo tem na história recente uma demonstração, sempre repetida e atingida de mortandade consagrada. A guerra de 1914-1918, teve o seu armistício anunciado em 11 de novembro de 1918. Tinha durado quatro anos, provocando mais de 10 milhões de mortos, dos quais 2.000.000 para a Alemanha, 1.800.000 para a Rússia, 1.300.000 para a França, 1.100.000 para Austro-Hungria, 750.000 para o Reino Unido, 450.000 para a Itália, não sendo de esquecer os mutilados. A Europa estava em maioria. A Guerra de 1939-1945 mostrou uma Sociedade das Nações sem globalidade. Nesta última guerra, a década de 30 ofereceu à Europa, submetida a uma crise, em que as Democracias pareceram não ter a capacidade de impedir o crescimento numeroso dos ditadores. A lembrança dos vivos da geração deste período não pode esquecer o que foi a destruição de que foi o principal responsável a Alemanha. Pode por exemplo recordar-se com François Bédarida (Le Nazisme et le Génocide - Paris - 1993) que "a terceira decisão capital deste ano diz respeito às criações dos campos de concentração". A paz inclui uma lista histórica de alteração, expressa a solução final nos textos da ONU, com a memória da morte de 50 a 60 milhões de mortos. Os responsáveis pela incerteza dos dias de hoje precisam de assumir a dimensão do desastre humano que outros podem começar, não esperando qualquer alegação aceitável de irresponsabilidade. A conversação ainda pacífica das potências interessadas, espera-se que seja mais autêntica do que a que precedeu a guerra de 1939-1945.

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