A 13 de maio na baía de Kowloon

A de 13 de maio registou-se o regresso dos fiéis à Cova da Iria. Esta foi a primeira peregrinação em massa após o afastamento imposto pela pandemia de Covid-19. É sempre emocionante assistir a esta grande manifestação de Fé, que juntou milhares de crentes na procissão das velas no passado dia 12.

Como a época acaba habitualmente nesta altura, também foi na passada sexta-feira 13 que se iniciou a última jornada da Liga do desporto rei. Nesse campo, glória aos vencedores e honra aos vencidos. Para o ano (ou a meio do verão) haverá mais.

O Festival da Canção da Eurovisão esteve sincronizado com Fátima e o futebol. Este ano teve duas nuances particulares. A primeira, por muito estranha que pareça, foi incluir a Austrália. A segunda foi o facto do Festival ter assumido uma clara orientação política e social, ao atribuir a vitória à Ucrânia, uma atitude mais do que devida.

Do outro lado do mundo o espetáculo continua e não me refiro ao maior país da Oceânia. Neste caso em concreto o assunto é a declaração da China, condenando a guerra na Ucrânia e defendendo a globalização. Ora, as razões que fundamentam tal demarcação são de acessível perceção.

A principal é a "nova rota da seda". A China precisa do itinerário instabilizado pela guerra para fazer escoar a sua mão-de-obra, matéria prima e produtos. Assim se torna tendenciosa no que respeita à defesa da multinacionalização, não seja ela própria o garante das exportações e da vivacidade dessa mesma rota da seda.

E já que a China é tema, destaque-se o problema interno da Formosa. Tal como num truque de ilusionismo, em que quando se atenta a um lado não se olha para o outro, o Bispo Emérito de Hong Kong, de seu nome Joseph Zen, com 90 anos de idade, foi preso. Recaem sobre ele suspeitas de conluio com forças estrangeiras, sendo estas as alegações que motivaram o seu encarceramento.

Segundo as autoridades chinesas, a atividade praticada pelo Bispo de 90 anos coloca em perigo a segurança nacional da China. Mesmo que entretanto tenha sido libertado, não se pode aceitar esta detenção absurda.

No ano em que o Congresso do Partido Comunista Chinês acontecerá, todas estas posições são de extrema importância. Esta grande nação consegue há muito manter-se no fio da navalha, numa espécie de corda bamba infindável, melhor do que uma trupe digna do Festival Internacional de Monte Carlo. Será que tudo vale pelo velho registo "um país, dois sistemas" ou já nem um "palhaço de ouro" merece?

A China é uma economia gigante, que teve um papel essencial no mantimento da estabilidade mundial ao longo dos últimos anos. Fê-lo, sobretudo, até que os Estados Unidos voltassem a assumir uma posição de responsabilidade no palco internacional.

Por todos os motivos apontados, os comportamentos que de forma sistemática e grosseira violam os Direitos Humanos não podem continuar a ser ignorados. O mundo deve caminhar no sentido de, gradualmente, começar a penalizar essa economia, encontrando e planeando alternativas. Uma das fortes lições a retirar da invasão russa à Ucrânia é que se deve celebrar "o hoje, pois o ontem já se foi e o amanhã talvez não venha".

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