O futebol é uma desculpa para sermos felizes.” A frase pertence a Jorge Valdano, antigo Campeão do Mundo pela Argentina que jogou, entre outros clubes, no Real Madrid, onde ganhou duas taças UEFA e dois títulos de campeão espanhol. Além de um extraordinário atleta, após terminar a carreira tornou-se comentador e cronista no diário desportivo espanhol Marca.Conhecido como “filósofo”, Valdano é autor de inúmeros textos sobre aquele que é considerado quase universalmente como o “desporto rei” e a sua leitura até pode ser recomendada, tal a lucidez das suas análises.Mas, se esta semana tivesse de escrever sobre os adeptos de futebol, ou futsal, portugueses, as suas palavras não seriam elogiosas. Tal como não o seriam para atitudes de jogadores, treinadores e dirigentes que deveriam ser um exemplo para aqueles que vivem a paixão clubística.Tristemente, Portugal tem estado sob os holofotes mediáticos por péssimos exemplos provocados por supostos adeptos de desporto que não o são, antes pelo contrário. Aquilo que se passou antes de um jogo de futsal entre o Sporting e o Benfica, com mais de uma centena de pessoas a protagonizarem confrontos junto ao Estádio de Alvalade, não pode ser esquecido. É verdade que foram identificados e presentes a juiz. Mas acabaram com a medida de Termo de Identidade e Residência, enquanto as autoridades investigam o que se passou e como se passou. Acrescente-se que foram apreendidos pela PSP ferros, paus, artigos de pirotecnia, cintos, uma arma branca e um martelo.Segundo notícias recentes, há 430 pessoas impedidas de aceder a recintos desportivos (350 interdições aplicadas pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto e as restantes por tribunais judiciais), mas só no caso referido anteriormente estiveram envolvidos - de cara tapada e vestidos de negro, claro pois são corajosos - mais de 100 pessoas. Portanto, há muita gente a precisar de ser proibida de assistir ao vivo àquilo que devia ser um espetáculo para “sermos felizes”, citando Jorge Valdano.A verdade, porém, é que, dentro dos recintos, também há maus exemplos, ou pelo menos suspeitas. O que, alegadamente, aconteceu na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões entre o benfiquista Prestianni e o jogador do Real Madrid Vinicius Jr. é, a confirmar-se, um caso muito grave e uma “justificação” para atitudes provocatórias como a de um adepto que foi fotografado esta quarta-feira junto a uma imagem dos jogadores do Real com um cacho de bananas na mão e a apontar para o atleta brasileiro. Este senhor devia ser identificado e punido.Tudo isto acaba por dar origem a excessos como os que levaram a polícia espanhola a fazer uma carga sobre os adeptos do Benfica, alguns de cara tapada(obviamente), que estavam em Madrid. No canal de televisão CMTV surgiu em direto uma criança a chorar perante a confusão e a contar que tinha tido “muito medo”. É assim que o futebol quer ser recordado? E quer ser um dos maiores espetáculos do mundo? E os dirigentes ainda defendem esses alegados adeptos? Ou, pior, fazem de conta que não existem. Será que depois de dragões, águias e leões, o desporto português vai ter avestruzes?