War Hostel de Sarajevo: um sítio "infernal" para dormir em ambiente de guerra

Autodenomina-se o primeiro hostel de guerra do mundo e é um das atrações procuradas pelos adeptos do turismo negro em Sarajevo

"Aviso: Este não é um hostel normal, está muito longe disso. Por favor, leiam a descrição abaixo. Se não lerem, vierem e não gostarem, a culpa é vossa. Ninguém vos obriga a vir aqui. Eu avisei-vos". A mensagem de entrada no site do War Hostel, deixada por Zero One, nome de código adotado pelo proprietário, é suficientemente explícita. Mas nem por isso tem afastado interessados. Pelo contrário. Este local que recria as tormentas vividas pelos bósnios durante os bombardeamentos na guerra que desmembrou a ex-Jugoslávia, na década de 1990, é um dos ex-libris do turismo negro em Sarajevo.

Arijan Kurbasic, ou Zero One, nome de código do pai naqueles tempos de guerra e que Arijan adotou como gerente do hostel, é um antigo guia turístico que teve a ideia de criar este War Hostel ao perceber que aquilo que muitos turistas realmente queriam era uma experiência de guerra próxima daquela por que passaram os habitantes locais em Sarajevo. Algo que não pode ser experienciado nas instalações confortáveis das cadeias de hotéis de luxo que entretanto se instalaram na cidade.

"Resolvei dar aos turistas aquilo que eles querem". Ou uma parte deles, vá. Zero One revela ao New York Times que há só uma comodidade que ele teve de oferecer à clientela, maioritariamente jovem, que procura o hostel: wi-fi, claro. "Uma cliente norte-americana disse que não tinha problema nenhum em dormir num bunker, mas quando lhe disse que não havia internet foi-se embora", recorda Kurbasic, de 27 anos.

Wi-fi à parte, a estadia para os hóspedes do War Hostel é uma experiência de auto-privação que procura recriar da forma mais real possível as agruras que a família de Kurbasic e muitas outras viveram naqueles três anos de bombardeamentos constantes sobre Sarajevo, entre 1992 e 1995.

"Não há camas, apenas uns colchões finos no chão, nada de almofadas ou lençóis, e uns cobertores pesados ​​e arranhados que criam a sensação de dormir com um cavalo morto", descreve a reportagem do NY Times. A ocupar dois andares da antiga casa da família, em zona de uma antiga frente de guerra, o War Hostel tem três dormitórios comunitários (com capacidade para quatro, cinco e seis pessoas, a dormir no chão) e um quarto mais privado para uma pessoa ou um casal. Ambos com os mesmos desconfortos, que vão de paredes com marcas de guerra ao som de tiros e explosões que ecoa sem parar na instalação sonora.

Depois, para os mais aventureiros, há o "ultimate challenge", o desafio mais radical: um bunker, sem qualquer luz, com bombardeamentos que não param, fumo e um ambiente "tão infernal e desconfortável que é uma insanidade alguém querer dormir lá", descreve Zero One.

"Isto não é cool, não é um jogo de guerra"

O proprietário garante que a ideia não é criar qualquer espécie de nostalgia pelo ambiente da guerra mais sangrenta que atingiu a Europa desde a II Guerra Mundial, mas apenas deixar os turistas, especialmente os mais jovens, ter uma noção das privações e do desconforto dos tempos de guerra.

"Os millennials vêm e dizem: isto é tão cool. Não é cool, Isto não é um jogo. Se crescerem a pensar que isto se trata de um jogo de guerra vão tomar muito más decisões no futuro", refere.

Voltando à (longa) mensagem de entrada no site do War Hostel: "Se é uma pessoa cheia de opiniões e não está disposto a ouvir, não venha aqui, ok? Convidamos-vos a encontrarem-nos e a descobrir Sarajevo de uma perspetiva única e muito diferente, no único albergue de guerra do mundo."

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