Uma enfermeira salvou três recém-nascidos de um hospital atingido pelas explosões em Beirute

Um fotojornalista libanês, que testemunhou o resgate, contou à CNN esta história de esperança no meio do caos e da tragédia que matou mais de 100 pessoas e deixou milhares de feridos.

"Fiquei impressionado quando vi a enfermeira com três recém-nascidos ao colo", contou o fotojornalista Bilal Jawich à CNN árabe. "Admirou-me a calma dela, a contrastar com a atmosfera de caos à volta, a apenas um metro de distância", disse ele, lembrando os muitos mortos e feridos que se acumulavam nas proximidades.

"No entanto, a enfermeira parecia estar possuída por uma força oculta que lhe dava o auto-controlo e o poder de salvar aquelas crianças. As pessoas distinguem-se nestes momentos de caos, violência, tragédia e escuridão e esta enfermeira esteve à altura das circunstâncias", testemunhou Jawich, que vive nas imediações da capital libanesa e quando sentiu o estrondo das explosões ocorridas no porto da cidade, rumou a Beirute.

"Segui o fumo até chegar ao porto". A "intuição profissional" fez o resto e levou-o até ao hospital Al Roum, no distrito de Ashrafieh, devastado pela explosão.

Bilal Jawich disse que mais tarde a enfermeira lhe contou que estava na ala da maternidade quando a explosão atingiu o hospital, caiu inconsciente e, quando voltou a si, "tinha aqueles três bebés nos braços".

Nem toda a gente naquele hospital teve a mesma sorte. De acordo com a CNN, 12 pacientes, duas visitas e quatro enfermeiras morreram devido à explosão e duas pessoas estavam ainda em estado crítico. O hospital ficou com estragos em 80 por cento do edifício e 50 por cento do equipamento, segundo as estimativas de fonte interna à CNN.

Os bebés e as suas mães foram transferidos para outros hospitais e sobreviveram à tragédia que está a mobilizar a solidariedade e ajuda médica ao Líbano, país já devastado pelos conflitos no Médio Oriente e ao qual as duas explosões no porto de Beirute, que já provocou quase 140 mortos - número que continua a subir - mais de cinco mil feridos e cerca de 300 mil desalojados, vieram acrescentar uma destruição que o governador da cidade diz ser comparável ao causado pelas bombas atómicas lançadas em Hiroxima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial.

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