Turquia acusa Fethullah Gülen de "estar por detrás" do assassinato do embaixador 

Governo turco diz que o objetivo do ataque era prejudicar a reaproximação diplomática entre Ancara e Moscovo

O chefe da diplomacia turca afirmou hoje ao seu homólogo norte-americano que a rede do clérigo Fethullah Gülen, perseguido por Ancara, está "por detrás" do assassínio do embaixador da Rússia na Turquia, indicou a agência pró-governamental Anadolu.

Durante um contacto com John Kerry, o ministro Mevlüt Cavusoglu declarou que "a Turquia e a Rússia sabem que por detrás do ataque contra o embaixador da Rússia em Ancara Andrei Karlov está a FETO", acrónimo que designa a rede de Gülen, segundo a Anadolu.

Na segunda-feira, um jovem polícia turco, Mevlüt Mert Altintas, matou com diversos disparos o embaixador russo em Ancara, Andrei Karlov, afirmando pretender vingar a cidade de Alepo, em vias de ser totalmente controlada pelo regime sírio, apoiado por Moscovo.

Quase de imediato, o presidente da câmara de Ancara, Melih Gökçek, e os 'media' pró-governamentais turcos evocaram a "pista gulenista", ao considerarem que o assassinato do embaixador russo se destinou a torpedear a recente reaproximação diplomática entre Ancara e Moscovo.

Após o assassinato do diplomata russo, Gülen, que se autoexilou nos Estados Unidos desde o final da década de 1990, disse estar "chocado e profundamente entristecido".

"Condeno nos termos mais enérgicos este ato odioso de terror", acrescentou num comunicado divulgado antes das acusações de Cavusoglu.

Antigo aliado do Presidente Erdogan, Gülen é agora acusado pelo Governo de ter planeado uma tentativa de golpe de Estado que abalou a Turquia na noite de 15 para 16 de julho.

Gülen, que negou qualquer envolvimento no golpe abortado, lidera um movimento designado "Hizmet" (O Serviço em turco), que possui uma vasta rede escolas, ONG e empresas. O Governo turco define-a como uma "organização terrorista", que agora denomina por "FETO" (Organização terrorista Fethullah Gülen).

A Turquia já solicitou por diversas vezes aos Estados Unidos a sua extradição, mas as autoridades norte-americanas responderam que a decisão é da responsabilidade da justiça.

Após o fracassado golpe, as autoridades turcas desencadearam uma vasta purga, em particular nas fileiras das Forças Armadas, polícia, magistratura e 'media'.

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