Trump pede gesto forte da China após teste de míssil norte-coreano

Pequim e Moscovo pedem fim dos programas de armas e nuclear, mas também dos exercícios militares de Washington com Seul

A China e a Rússia pediram ontem o fim do programa de mísseis e nuclear norte-coreano, depois de Pyongynag ter alegadamente testado o seu primeiro míssil intercontinental, que alguns analistas dizem ter a capacidade para atingir o Alasca. Mas o presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo russo, Vladimir Putin, exortaram também os EUA e a Coreia do Sul a acabar com os exercícios militares conjuntos, considerando "justificáveis" as preocupações de segurança da Coreia do Norte. Mais cedo, o presidente norte-americano, Donald Trump, pedira um gesto forte de Pequim "para pôr fim a este absurdo".

Num encontro em Moscovo, Xi Jinping e Putin defenderam a necessidade de "congelar simultaneamente as atividades nucleares e de mísseis norte-coreanas e os exercícios militares conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul". Estes servem, segundo Washington e Seul, para manter a prontidão de defesa na região. Considerando "justificáveis" as preocupações de segurança de Pyongyang, os dois líderes indicaram contudo num comunicado conjunto que "a possibilidade de uso de medidas militares para resolver os problemas da Península Coreana deve ser afastada". Mais cedo já Pequim tinha apelado à contenção, com ambos os países a defender o regresso à mesa das negociações.

Horas antes, depois do teste do míssil norte-coreano, o presidente norte-americano, Donald Trump, reagia no Twitter: "A Coreia do Norte acaba de lançar outro míssil. Será que este tipo não tem nada melhor para fazer na vida?", escreveu, referindo-se a Kim Jong Un, que terá supervisionado o lançamento do míssil. "É difícil acreditar que a Coreia do Sul e o Japão vão aguentar isto durante muito mais tempo. Talvez a China faça um gesto forte em relação à Coreia do Norte e ponha fim a este absurdo de uma vez por todas!", acrescentou Trump, no Dia da Independência. A China é o principal parceiro económico de Pyongyang e único grande aliado. Sobre o facto de os mísseis poderem chegar a território dos EUA, o presidente escrevera em janeiro na mesma rede social: "Não vai acontecer."

Pyongyang anunciou ter lançado, com sucesso, um míssil balístico intercontinental. A confirmar-se seria o primeiro - EUA e Rússia alegam que foi apenas um míssil de médio alcance. O míssil terá sido enviado a uma distância de 933 quilómetros, até às águas territoriais japonesas, tendo atingido uma altura de 2802 quilómetros. O voo durou 39 minutos. Para chegar aos EUA, precisa de percorrer mais de oito mil quilómetros, com alguns analistas a indicar que poderia chegar até ao Alasca, mas não às ilhas maiores do Havai ou aos outros 48 estados. Pyongyang alega que pode acertar em qualquer local do mundo. O passo seguinte seria miniaturizar uma ogiva nuclear para poder usá-lo num míssil, mas também garantir que esta estaria estável no momento da reentrada na atmosfera.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que esteve com Trump no domingo, pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas mais medidas contra a Coreia do Norte. Pyongyang já está sob várias sanções por causa dos testes nucleares e de mísseis, em violação das resoluções aprovadas pela ONU. Mas o isolamento económico de Pyongyang significa que estas sanções não têm grande impacto. Já o Japão descreveu "as repetidas provocações como esta totalmente inaceitáveis", com o primeiro-ministro Shinzo Abe a dizer que Tóquio se iria juntar a Washington e Seul para continuar a pressionar Pyongyang.

Abe anunciou que vai realizar um encontro tripartido com Trump e Moon, para discutir a questão de Pyongyang à margem da cimeira do G20, que decorre na sexta-feira e no sábado em Hamburgo, na Alemanha. O tema também foi discutido em telefonemas entre Trump e os líderes da China e do Japão. O encontro bilateral mais esperado no G20 será contudo o de Trump com Putin, que estarão pela primeira vez frente a frente na sexta-feira.

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