Trump diz que autoridade do presidente "é total". Governadores não concordam

Donald Trump reagiu ao anúncio de que vários governadores estão a formar alianças para decidir quando e como suspendem as restrições, mesmo contra a vontade do presidente.

Poder "total" e acima da decisão do governador de cada estado nos EUA, foi isto que Donald Trump reivindicou esta segunda-feira, na conferência de imprensa onde faz o briefing sobre a pandemia e durante a qual passou um vídeo de autoelogio.

Uma resposta ao anúncio de vários governadores que estão a formar alianças para decidir quando e como suspendem as restrições impostas devido à covid-19, com ou sem o aval do presidente.

Nos estúdios de televisão, o direto na Casa Branca, onde decorria a conferência de imprensa, foi suspenso, uma vez que "já não se estavam a dar informações sobre a pandemia", explicaram os jornalistas.

No entanto, foi esse poder "total" reivindicado por Trump que fez soar os alertas, uma vez que o presidente dos EUA considera que pode decidir a suspensão das medidas de isolamento social se assim o entender.

"O presidente dos Estados Unidos toma as decisões", disse Trump. No entanto,a Constituição dos EUA diz que cabe aos estados manterem a ordem e a segurança públicas.

As declarações de Donald Trump de segunda-feira refletem o braço de ferro entre o presidente norte-americano e os governadores dos estados que se estão a organizar para decidir se levantam as restrições implementadas devido à pandemia e como o irão fazer.

Os governadores do Nordeste anunciaram uma aliança para decidirem se vão mesmo suspender as restrições e os estados ocidentais também revelaram que vão trabalhar em conjunto para decidir o que fazer no futuro.

Em Nova Iorque, e com o número de novas mortes e da taxa de hospitalizações a decrescer, o governador Andrew M. Cuomo admitiu na segunda-feira que "o pior já passou"e foi ele quem anunciou uma aliança com outros seis governadores do Nordeste dos EUA.

Os governadores de Nova Jersey, Connecticut, Pensilvânia, Delaware, Massachusetts e Rhode Island disseram que vão começar a elaborar um plano para a reabertura de empresas e escolas, e que serão eles a decidir com que rapidez as pessoas poderão voltar aos seus trabalhos com segurança. Não há certezas.

"Se errarmos, pode-nos sair pela culatra e já vimos isso [acontecer] em outros locais do mundo", disse Cuomo, citado pelo New York Times.

Este esforço conjunto foi o primeiro de dois anunciados na segunda-feira: os governadores da Califórnia, Oregon e Washington, três estados ocidentais que estavam entre os que sentiram o impacto do vírus antes deste se espalhar rapidamente pelos estados do Nordeste, anunciaram um pacto semelhante.

Todos, exceto um dos 10 governadores nas duas costas, são democratas.

Por isso, Trump passou a segunda-feira a tentar restaurar a aparência de uma vida normal nos EUA, o que passa por calar a voz dos estados.

"Com o objetivo de criar conflito e confusão, alguns membros dos media falsos dizem que é uma decisão dos governadores abrir os estados, não do presidente dos Estados Unidos e do governo federal", escreveu Trump no Twitter. "Entendam que isso está incorreto. É uma decisão do presidente, e por muitas boas razões", justificou, sem avançar quais.

Horas depois deste tweet e dos anúncios dos governadores, Trump voltou a afirmar que a decisão lhe pertencia, na conferência de imprensa na Casa Branca.

No entanto, nenhuma destas declarações de poder ao longo do dia mudou a perspetiva dos governadores sobre a pandemia.

"Bem, considerando que tínhamos a responsabilidade de fechar o estado", disse o governador Tom Wolf, da Pensilvânia, "acho que provavelmente temos a principal responsabilidade em voltar a abri-lo", afirmou.

Os jornalistas questionaram se Trump poderia decidir acima daquilo que cada governador tiver ordenado para o seu estado, ao que o presidente respondeu: "Quando alguém é o presidente dos Estados Unidos, a autoridade é total. Os governadores sabem disso", afirmou.

No entanto, especialistas jurídicos ouvidos pela BBC dizem que o presidente não tem autoridade para reverter uma medida de restrição relacionada com a saúde pública implementada a nível estadual ou local.

Trump disse também que o número de mortes devido à covid-19 nos EUA tinha chegado a um "planalto" e que isso indicava que as medidas de isolamento social estavam a dar resultado.

Presidente quer reabrir a economia dos EUA a 1 de maio

Durante a conferência de imprensa, a Casa Branca exibiu um vídeo com montagens onde é criticada a forma como os media estão a noticiar a gestão da pandemia pelo presidente e onde são ouvidos alguns governadores a elogiar Donald Trump.

Assim que o vídeo começou a ser exibido, vários meios de comunicação "cortaram" o direto, justificando que esse não é o objetivo das conferências de imprensa sobre a covid-19.

Trump revelou estar a finalizar um plano para reabrir a economia dos EUA a partir de 1 de maio - as medidas de combate à pandemia no país expiram a 30 de abril.

Dez estados das costas leste e oeste dos EUA planeiam já suspender suspender as medidas de isolamento social, numa altura em que o país se tornou o epicentro da pandemia.

Os EUA registam 682.619 casos confirmados e 23.608 mortes devido à doença.

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