Trump debaixo de fogo por comparar EUA com Rússia

Na entrevista à Fox presidente norte-americano disse que Irão é o "estado terrorista número um"

- "Tem respeito por Putin?", perguntou Bill O"Reilly, jornalista da Fox.

- "Sim, tenho respeito por Putin", respondeu Donald Trump.

- "Porquê?", quis saber o entrevistador.

- "Respeito muita gente, mas isso não quer dizer que me vá dar bem com ele. Defendo que é melhor darmo-nos bem com a Rússia do que não. Se me vou dar bem com ele? Não faço ideia. É possível que não"

- "Mas Putin é um assassino", insistiu O"Reilly.

- "Há muitos assassinos. Ou pensa que o nosso país é inocente?", disparou o presidente dos EUA.

Em dia de Super Bowl entre os Atlanta Falcons e os New England Patriots, a estação a transmitir este e outros pequenos excertos da entrevista foi a Fox Sports, cerca de duas horas antes do início do jogo. A versão integral só irá para o ar nesta segunda-feira na Fox News. Trump apostou na vitória dos Patriots por oito pontos.

A comparação entre os EUA e a Rússia - que a Fox divulgou domingo de manhã como estratégia promocional - fez cair sobre Donald Trump uma trovoada de críticas, muitas delas vindas do próprio Partido Republicano. "Quando foi a última vez que um ativista político do Partido Democrata foi assassinado pelo Partido Republicano ou vice-versa? Nós não somos iguais a #Putin", escreveu no Twitter Marco Rubio, senador republicano que foi adversário de Trump durante as primárias na corrida à Casa Branca.

"Os russos anexaram a Crimeia, invadiram a Ucrânia e piratearam as nossas eleições. Não há qualquer tipo de equivalência entre o comportamento dos dois países", declarou o senador Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, numa entrevista à CNN. O político do Kentucky classificou Putin como "um patife" e repudiou a tentativa do presidente norte-americano em menorizar as acusações de violação dos direitos humanos de que o líder russo tem sido alvo.

Também Michael McFaul, antigo embaixador dos EUA na Rússia, atacou de forma veemente os comentários de Trump. "Esta equivalência moral entre os EUA e a Rússia é repugnante (e pouco precisa)", escreveu, também no Twitter, o diplomata que foi conselheiro de Barack Obama. "Trump coloca os EUA ao mesmo nível do que a Rússia de Putin. Nunca na História um presidente tratou assim o seu país", postou na referida rede social Bret Stephens, jornalista do Wall Street Journal e vencedor do Pulitzer.

Perante as críticas que se foram avolumando durante o dia de domingo, mesmo antes de a entrevista ter sido transmitida, o vice-presidente Mike Pence viu-se obrigado a vir a terreiro defender o seu superior e tentar deitar água para a fervura. Pence defendeu que Trump não quis estabelecer uma equivalência moral entre Rússia e EUA.

Na entrevista a O"Reilly, o presidente dos EUA foi pouco meigo para com o Irão - que classificou como "Estado terrorista número um" - e defendeu que o acordo nuclear entre Teerão e Barack Obama "nunca devia ter sido assinado".

O fim de semana, apesar de uma viagem à Florida para jogar golfe, revelou-se tudo menos relaxante para o presidente. Além do embate das críticas, Donald Trump teve que lidar com a oposição dos tribunais. Na sexta-feira um juiz federal do estado de Washington, James Robart, decidiu suspender - com aplicação a nível nacional - a ordem executiva de Trump que regulava a proibição de entrada nos EUA a nacionais de sete países de maioria muçulmana - Iémen, Irão, Iraque, Líbia, Síria, Somália e Sudão.

O presidente norte-americano reagiu de forma violenta contra Robart, apelidando-o de "alegado juiz", e a Administração interpôs um recurso pedindo que a decisão judicial fosse pausada e que a ordem executiva voltasse a vigorar. Mais uma vez não correu bem à Casa Branca. O Tribunal de Recurso do 9.º Distrito (com sede em São Francisco, na Califórnia), responsável pela avaliação do pedido, decidiu não ceder às pretensões de Trump, continuando assim a vigorar, para já, a decisão do juiz Robart.

Os próximos capítulos desta série começam esta segunda-feira. Os advogados que representam os estados do Washington e do Minnesota - aqueles que avançaram com o processo que motivou a decisão de Robart - têm até às 08.00 (hora de Lisboa) para argumentar e apresentar a documentação legal necessária. Mais tarde, às 23.00, termina o prazo para o Departamento de Justiça (que representa a Administração de Trump) responder. Depois, explica a CNN, um painel de três juízes decidirá se marca uma audiência ou se profere uma decisão. Peter Carr, porta-voz do Departamento de Justiça, disse que o governo irá esperar para ver o que acontece antes de levar o caso ao Supremo Tribunal.

No domingo ao início da noite em Lisboa, Trump voltou ao ataque no Twitter: "Simplesmente não consigo acreditar que um juiz tenha posto o nosso país neste risco. Se algo acontecer a culpa é dele e do sistema judicial. (...) Os tribunais estão a tornar o trabalho muito difícil".

Até que haja novos avanços neste processo, todos aqueles que estejam na posse de um visto válido estão autorizados a entrar em território norte-americano. Venham de onde vierem.

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