Terrorista de Londres tinha saído da prisão há uma semana

Homem esfaqueou duas pessoas (uma está em estado grave) antes de ser morto pela polícia. Desde o início que as autoridades trataram o incidente como estando "relacionado com terrorismo" islâmico.

O homem suspeito de esfaquear duas pessoas em Streatham, antes de ser morto pela polícia, tinha sido libertado há uma semana da prisão, após cumprir metade da pena de três anos e quatro meses de prisão a que tinha sido condenado em 2018 por disseminar material terrorista. O indivíduo foi identificado pelos media britânicos como sendo Sudesh Amman.

No ataque deste domingo, no sul de Londres, uma terceira pessoa ficou ferida ao ser atingida por estilhaços de vidro, após a polícia disparar a arma. As autoridades britânicas trataram o incidente desde o início como estando "relacionado com terrorismo islâmico". O suspeito usava um falso colete suicida e estaria sob vigilância policial na altura do incidente.

"Como parte de uma operação proativa de combate ao terrorismo, agentes armados estavam presentes e mataram um suspeito do sexo masculino, que foi declarado morto no local", indicou a Polícia Metropolitana num comunicado, sem explicar se a operação tinha como alvo o próprio suspeito ou não.

"Um engenho foi encontrado agarrado ao corpo do sujeito e foram chamados os especialistas. Cordões de segurança foram levantados e foi rapidamente concluído que o engenho era falso", segundo o texto.

Os media britânicos identificaram o suspeito como sendo Sudesh Amman, de Harrow, no norte de Londres, que tinha sido condenado por disseminar material terrorista e recolher informação para a construção de bombas. Entre outras coisas, tinha enviado vídeos de decapitações à namorada e aconselhando-a a matar os pais "não crentes".

Detido quando tinha 18 anos, em maio de 2018, admitiu 13 crimes e foi condenado a três anos e quatro meses. Tinha sido libertado, segundo algumas fontes citadas pelos media britânicos, há cerca de uma semana, após cumprir metade da sentença.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, prometeu anunciar nesta segunda-feira planos para lidar com condenados por terrorismo.

Um ferido com gravidade

O ataque deste domingo fez três feridos, sendo que um homem ficou em estado grave. Além de uma mulher que foi também esfaqueada pelo suspeito, uma outra mulher terá sido atingida por estilhaços de vidro "depois de a polícia disparar a arma", de acordo com o comunicado com a declaração da vice-comissária Lucy D'Orsi. Foram transportados os três para hospitais do sul de Londres.

"Uma pessoa está no hospital e corre risco de vida. Estamos a informar a família", anunciou a polícia. "Uma segunda vítima foi tratada por ferimentos mínimos no local antes de ser levada para o hospital. Uma terceira vítima foi levada para o hospital, a condição de ambos não é grave", tinha indicado já a polícia no Twitter.

"Os meus pensamentos estão com as vítimas e os seus entes queridos neste momento", disse D'Orsi.

Nas redes sociais, foram aparecendo vídeos do dispositivo policial e de várias ambulâncias na zona. As testemunhas disseram ter ouvido três tiros. O homem que ficou ferido com gravidade terá esperado 30 minutos pela ambulância, segundo uma das pessoas que o ajudaram.

Noutro vídeo, via-se os agentes a rodear um homem que estava deitado no passeio, antes de se afastarem rapidamente e pedirem aos outros transeuntes para se afastarem também. O suspeito ainda estaria vivo, mas suspeitava-se que poderia ter uma bomba.

Gulled Bulhan, um estudante de 19 anos, contou à agência PA que o suspeito tinha uma "machete" e "embalagens prateadas no peito" e "estava a ser perseguido por um polícia à paisana". Outras testemunhas dizem que o suspeito entrou numa loja e roubou a faca no interior, começando a esfaquear as pessoas.

Suspeito sob vigilância?

David Videcette, um perito em terrorismo que investigou os atentados de 7 de julho de 2005 em Londres, escreveu no Twitter que o número de polícias à paisana neste cenário parecia indicar que o suspeito estaria sob vigilância policial, numa operação planeada, com a equipa a ter que reagir a um "evento espontâneo", talvez "depois de o suspeito perceber que estava a ser seguido".

"Se olharmos para os vídeos de telemóvel que estão a ser divulgados e aos testemunhas é óbvio que estava a ser vigiado pelo facto de termos tantos polícias armados à civil no local tão rapidamente, tendo em conta que não era o centro de Londres", segundo o correspondente de temas de defesa e segurança da Sky News, Alistari Bunkall. "Acho que é muito provável que este homem fosse conhecido das forças de segurança e polícia", indicou.

Segundo o The Guardian, o suspeito estava sob vigilância ativa e era alvo de uma investigação. "Para estar sob vigilância ativa isso requer um nível elevado de recursos e só seria usado contra as pessoas que representassem o risco mais elevado -- e potencialmente estivessem a planear um ataque".

A Scotland Yard confirmou apenas que havia uma "operação proativa de combate ao terrorismo" na zona, sem especificar se o suspeito era ou não o alvo.

A polícia, que pediu ao público use o "senso comum e restrição" na divulgação de fotos e vídeos do incidente e dos agentes envolvidos nas redes sociais, está a investigar as circunstâncias deste ataque, assim como o uso de armas de fogo por parte dos polícias. É o protocolo.

Reações políticas

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reagiu no Twitter: "Obrigado a todos os serviços de emergência por responderem ao incidente em Streatham, que a polícia já declarou como relacionado com o terrorismo. Os meus pensamentos vão para os feridos e todos os afetados."

Johnson, que estava na casa de campo dos primeiros-ministros britânicos em Chequers, regressou ao princípio da noite de domingo a Downing Street. A ministra do Interior, Priti Patel, também se dirigiu para a residência oficial.

Após a reunião, num comunicado, Johnson lembrou que após o atentado de novembro passado "o governo tem trabalhado rapidamente para introduzir um pacote de medidas para fortalecer todos os elementos da nossa resposta ao terrorismo -- incluindo sentenças de prisão amis longas e mais dinheiro para a polícia". O primeiro-ministro indicou ainda que esta segunda-feira anunciará "planos de mudanças fundamentais no sistema para lidar com os condenados por crimes de terrorismo".

O presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan, também reagiu nas redes sociais: "Os terroristas procuram dividir-nos e destruir o nosso modo de vida -- aqui em Londres nunca vamos deixar que isso aconteça", escreveu, agradecendo também o trabalho da polícia e dos serviços de emergência.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, agradeceu também nas redes sociais a "dedicação e resposta rápida" da polícia e dos serviços de emergência. "Os meus pensamentos vão para os feridos e os afetados por este incidente em Streatham", escreveu.

Historial de ataques terroristas

O último ataque terrorista na capital britânica tinha ocorrido em novembro do ano passado, quando um homem esfaqueou várias pessoas na Ponte de Londres antes de ser abatido pela polícia. Duas pessoas morreram. O autor do ataque, que também usava um falso colete suicida, já tinha estado preso por terrorismo.

Não foi a primeira vez que esta ponte foi palco de um ataque terrorista. A 3 de junho de 2017, três homens lançaram uma carrinha contra quem ia a passar sobre esta ponte londrina, fazendo três mortos. Os três ocupantes acabaram por fugir a pé depois de o veículo se despistar. Armados com facas, mataram outras cinco pessoas antes de serem abatidos pela polícia.

Os terroristas fizeram ainda 48 feridos. Quando foram abatidos, usavam falsos coletes explosivos. Dentro da carrinha que abandonaram também foi encontrado material explosivo. Segundo as autoridades, os três atacantes eram muçulmanos a viver no Reino Unido que se inspiraram no Estado Islâmico. Este ataque surgiu três meses depois de um semelhante na Westminster Bridge, quando o britânico Khalid Masood lançou o carro contra os transeuntes antes de abandonar o veículo e esfaquear um agente da polícia. O atacante foi abatido, mas o ataque, também inspirado pelo Estado Islâmico, fez cinco mortos e mais de 40 feridos.

Nos últimos anos, Londres foi palco de vários ataques terroristas. O maior foi o de julho de 2005, quando 52 pessoas foram mortas em explosões coordenadas no metro e num autocarro da capital britânica. Os ataques foram reivindicados pela Al-Qaeda.

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