Só 5% dos polícias usam arma. Atentado em Londres reabre debate

Agente que morreu esfaqueado em Westminster estava desarmado e há já quem defenda que política de armas tem que mudar

"Keith Palmer, sacrificaste a tua vida para nos proteger. Nunca te esqueceremos", lia-se num dos cartões junto às flores depositadas ontem frente ao Parlamento britânico. Enquanto se repetem as homenagens ao polícia e às outras três vítimas mortais do ataque de quarta-feira em Westminster, há quem questione se a sua morte poderia ter sido evitada se ele estivesse armado. Dos mais de 126 mil polícias de Inglaterra e do País de Gales, só 5639 (4,4%) estão autorizados a usar armas de fogo.

A Polícia Metropolitana foi criada em 1829 pelo então ministro do Interior (e mais tarde primeiro-ministro), Robert Peel, como uma força preventiva, baseada no "policiamento por consentimento" e não pela força. Os agentes, que ficaram conhecidos como bobbies (o diminutivo de Robert é Bob), andavam apenas armados com um bastão e eram poucas as armas de fogo. A partir de 1936, só quem recebe treino o pode fazer. O exemplo da Polícia Metropolitana, responsável pela segurança em Londres e conhecida também como Scotland Yard (local da sede original), foi adotado por outras forças no Reino Unido. A exceção é a Irlanda do Norte, onde todos os agentes andam armados.

A decisão de candidatar-se a uma posição armada é voluntária, com alguns agentes a mostrarem-se relutantes em fazê-lo porque temem as longas investigações a que estão sujeitos caso usem a arma em serviço. De até março de 2015 a março de 2016, os polícias só dispararam sete balas, tendo matado cinco pessoas.

O terrorista de Londres foi abatido com três tiros no peito por um agente vestido à civil, depois de ter atropelado dezenas de pessoas na ponte de Westminster e esfaqueado mortalmente Keith Palmer, na tentativa de entrar no Parlamento. As autoridades já estão a investigar se houve uma falha de segurança, sabendo-se que a entrada que o terrorista usou seria a mais vulnerável. Normalmente, há três polícias no local, com os agentes armados a percorrerem todo o espaço.

Segundo informações dos media britânicos, não confirmados oficialmente, o responsável não seria um dos polícias que estão normalmente armados no Parlamento, mas um guarda-costas do ministro da Defesa, que aguardava a saída de Michael Fallon do edifício. Esse agente faria parte do Comando de Proteção da Polícia Metropolitana, que também é responsável pela proteção a diplomatas e parlamentares.

"Desta vez, o terrorista ajudou a polícia, ao correr para uma área onde há mais agentes armados do que em qualquer outro local do Reino Unido", disse ao jornal Metro o antigo polícia Tony Long, que defende que os agentes devem andar todos com armas. No Parlamento, a deputada conservadora, Theresa Villiers, defendeu que era hora de os agentes que patrulham áreas que podem ser alvo dos terroristas (falou em Westminster, mas também aeroportos) andarem armados. A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que essa é uma "questão operacional" da própria polícia.

Um inquérito feito no início deste ano por um sindicato policial revelou que 43,6% dos agentes da Scotland Yard defendem a existência de mais especialistas com armas de fogo. Cerca de um terço dos 31 mil polícias desta força responderam ao inquérito, com 26% a dizerem que achavam que deviam estar sempre armados (seis pontos percentuais mais do que os que disseram o mesmo em 2016, num estudo em Inglaterra e País de Gales). Mas 12% disseram nunca querer usar arma de fogo em serviço. Após os ataques de novembro de 2015 em Paris, a Polícia Metropolitana disse que queria aumentar de 2200 para 2800 o número de agentes armados.

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