Segundo funcionário dos serviços secretos admite denunciar Trump

Depois da primeira denúncia em agosto, um segundo funcionário dos serviços secretos pode vir divulgar informações sobre as relações do presidente com a Ucrânia.

Um segundo funcionário dos serviços secretos está disposto apresentar uma queixa sobre as relações de Donald Trump com a Ucrânia, que estão na base do pedido de impeachment apresentado pelos democratas para afastar o presidente dos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo advogado do agente da CIA, este domingo, segundo o canal de televisão ABC.

Mark Zaid, que representa o primeiro informador, disse que o segundo informador também pertence aos serviços de informações e tem conhecimento direto que confirmam elementos referidos pelo primeiro sobre uma conversa telefónica entre Trump e o Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.

Esta intenção é conhecida depois do Secretário de Estado Mike Pompeo não ter cumprido o prazo para entregar voluntariamente os documentos relacionados com a investigação desencadeada pelo Partido Democrata. Depois disso, os democratas mudaram de estratégia e exigiram oficialmente os documentos à Casa Branca.

Os documentos dizem respeito a uma conversa telefónica entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em 25 de julho. Na chamada, Trump pressionou o homólogo ucraniano para investigar o seu principal adversário político democrata, Joe Biden, tendo sido denunciado que o presidente estava a reter a ajuda financeira dos EUA à Ucrânia para pressionar Kiev. O processo de impeachment resulta dessa conversa, que foi tornada pública por um denunciante em agosto.

"A Casa Branca recusou colaborar, e até responder, a pedidos múltiplos de comissões para a entrega voluntária de documentos. Ao fim de mais de um mês de obstrução, parece evidente que o Presidente escolheu a via do desafio, do entrave e das operações de dissimulação. Lamentamos profundamente que o presidente Trump nos tenha colocado - e a nação - nessa posição, mas as suas ações deixaram-nos sem outra opção a não ser emitir a intimação", escreveram, em comunicado, os democratas numa carta à Casa Branca.

Este segundo funcionário que está a considerar denunciar as relações de Donald Trump com a Ucrânia terá informações mais diretas sobre o assunto do que o denunciante inicial e já foi entrevistado por um órgão de intelligence americana para corroborar o primeiro relatório, informou o New York Times, citando duas fontes anónimas.

O Washington Post também já publicou relatos sobre as ligações de Trump com líderes estrangeiros, citando um ex-funcionário anónimo da Casa Branca. O jornal disse que, numa das primeiras conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, Trump o elogiou. Já num telefonema com a ex-primeira-ministra britânica Theresa May, o presidente americano questionou a conclusão dos serviços secretos britânicos de que o governo de Putin estava por detrás de uma tentativa de matar um ex-espião russo em solo britânico.

Trump, por seu turno, disse esta quinta-feira no Twitter que como presidente tem "o direito absoluto, talvez até um dever, de investigar ou ter investigado a corrupção, e isso pode incluir pedir ou sugerir a outros países para nos ajudar!"

Notícia atualizada às 16:17 de domingo

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