Sarkozy: o candidato que se faz anunciar por livro

Ex-presidente, de 61 anos, Nicolas Sarkozy é candidato às primárias da direita em novembro e quer voltar ao Eliseu em 2017.

Mais uma vez em livro, mais uma vez piscando o olho ao eleitorado que tem fugido para as fileiras da Frente Nacional. Depois de deixar a liderança d'Os Republicanos, Nicolas Sarkozy anunciou-se candidato às primárias da direita em novembro para as presidenciais do próximo ano em França.

"Decidi ser candidato às presidenciais de 2017. A França exige que nós dêmos tudo. Sinto-me preparado para assumir este papel, fruto da minha experiência como presidente e do afastamento que nestes quatro anos tive de todas as responsabilidades governamentais", lê-se em Tout pour la France, livro de 231 páginas que foi lançado nesta semana.

Esta não é, porém, a primeira vez que o político de direita escolhe a via literária para se anunciar como candidato presidencial. Foi assim há dez anos, quando era ministro do Interior e usou o livro Témoignage para dar conta da sua ambição de ser candidato às eleições presidenciais de 2007. Foi eleito, após derrotar Ségolène Royal, a candidata dos socialistas e mãe dos quatro filhos do atual presidente francês, François Hollande.

Hoje com 61 anos, Sarkozy ficou para a história como o político que conseguiu incendiar os subúrbios parisienses depois de, em 2005, ter classificado os jovens destas zonas mais problemáticas dos arredores da capital francesa como racaille ("escumalha" em português). E como o político que promoveu a lei que proíbe o véu integral nos espaços públicos de França. Sempre com uma visão securitária, numa retórica que por vezes se aproxima da de Marine Le Pen, promete agora proibir o burquíni se conseguir regressar ao Eliseu no próximo ano.

Neto de um judeu sefardita e filho de um imigrante húngaro, Sarkozy nasceu em Paris. Advogado de formação, tornou-se aos 28 anos presidente da Câmara de Neuilly-sur-Seine em 1983. Cinco anos mais tarde, durante a corrida para as presidenciais de 1988, envolveu-se na campanha para a eleição de Jacques Chirac, que acaba derrotado pelo socialista François Mitterrand. Em 1995, a sua opção foi outra e escolheu apoiar como candidato da direita ao Eliseu Édouard Balladur e não Chirac. Este não terá esquecido a façanha quando chegou ao Eliseu após derrotar Jean-Marie Le Pen na segunda volta das presidenciais de 2002 e preferiu escolher para primeiro--ministro Jean-Pierre Raffarin. Sarkozy ficou como ministro do Interior. A disputa entre os dois homens teve o auge quando Sarkozy, em 2004, decidiu impor-se como líder da UMP (partido que hoje se transformou em Os Republicanos).

Além das lutas políticas e das polémicas securitárias, Sarkozy foi também notícia por causa das desavenças conjugais. Pouco depois de chegar ao Eliseu divorciou-se de Cécilia Ciganer-Albéniz, sua segunda mulher, tendo depois começado a namorar e casado, em 2008, com a cantora e ex-modelo Carla Bruni. Com ela teve uma filha, Giulia, tendo mais dois filhos do primeiro casamento com Marie-Dominique Culioli, e um do segundo. Como presidente, entre 2007 e 2012, serviu de contrapeso à chanceler alemã, Angela Merkel, tendo vivido com ela a gestão da crise financeira e económica da zona euro e do Tratado de Lisboa. À dupla, o ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Delors chamou Merkozy.

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