Recorde feminino no Japão: Nunca tantas mulheres foram eleitas

Seis mulheres foram eleitas presidentes da câmara e 1239 conseguiram lugar nas assembleias locais japonesas

As eleições japonesas do passado domingo ficarão para a história. Nunca tantas mulheres tinham sido eleitas presidentes de câmara ou membros de assembleias locais como no ano de 2019.

Pela primeira vez, seis mulheres foram eleitas mayor [presidentes de câmara] - quebrando o recorde de 2015, quando quatro mulheres tinham conseguido o posto - e 1239 conseguiram um lugar nas assembleias locais japonesas, um número seis vezes maior do que o das eleições de 2003, de acordo com o Mainichi.

Das seis mulheres eleitas presidentes, três - Noriko Kawai, de 63 anos, de Kizugawa, na província de Kyoto, Noriko Suematsu, 48, da cidade de Suzuka, na província de Mie e Yukari Kaneko, 60 anos, da cidade de Suwa, na província de Nagano - asseguraram o seu quarto, terceiro e segundo mandatos respetivamente. As outras três conquistaram o cargo nas eleições de domingo pela primeira vez.

A cidade de Ashiya, na província de Hyogo teve mesmo uma luta feminina pela presidência, com Mai Ito de 49 anos, a sair vitoriosa.

Também na cidade de Tarumizu se celebrou uma histórica eleição feminina. Entre 17 candidatos, Misuzu Ikeda ficou em terceiro lugar numa eleição que elegeu 14 deputados, sendo a primeira mulher a fazer parte da assembleia local em 61 anos.

Ikeda, de 45 anos, mostrou-se muito satisfeita com a eleição e prometeu cumprir com o seu plano eleitoral. "Com a minha visão enquanto mulher - que nunca foram representadas aqui -, eu vou esforçar-me como nunca e criar uma sociedade onde os residentes se possam sentir bem", disse a japonesa, depois de saber os resultados das eleições, em que obteu 696 votos em 9458.

Antes de domingo, quatro em cada cinco membros das assembleias locais de todo o país eram homens e quase 20% das assembleias não dispunham de nenhum membro feminino. Este cenário fez o parlamento agir e aprovar uma legislação que obriga as assembleias a igualar o número de candidatos do sexo feminino e masculino. Apesar da decisão, as assembleias e as listas de candidatos continuam a ser dominadas por homens.

As eleições para os executivos municipais aconteceram em 59 cidades, 11 distritos de Tóquio e 66 cidades e aldeias e as eleições para as assembleias locais ocorreram em 283 cidades, 20 distritos de Tóquio e 282 cidades e aldeias. O número de candidatas femininas representa 17,3% do total nas eleições municipais e 12,1% nas assembleias municipais e das aldeias, marcando um recorde. Também ocorreu uma subida de 2,3% no número de mulheres eleitas, comparativamente a 2015.

Apesar das vitórias femininas, o Japão ainda apresenta um número pequeno de mulheres na política. Segundo o The Guardian, muitas das mulheres que se candidatam a organizações partidárias dominadas por homens encontram resistência e um quarto das candidatas diz já ter sido assediada sexualmente por outros membros políticos.

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