Polícia encontra dinheiro escondido entre nádegas de aliado de Bolsonaro

Descoberta ocorreu em ação de busca e apreensão na casa de senador, a propósito de desvios de 20 milhões de reais de dinheiro destinado ao combate à pandemia. Chico Rodrigues é íntimo da família presidencial.

Uma semana depois de Jair Bolsonaro ter dito que a Operação Lava Jato acabara porque na sua gestão não havia corrupção, um senador que exerce o cargo de vice-líder parlamentar do governo foi apanhado em operação da polícia federal, na sua casa, com dinheiro escondido entre as nádegas.

Chico Rodrigues, um dos principais defensores do presidente da República no Congresso Nacional, é alvo da Operação Desvid-19, que apura o desvio de 20 milhões de reais [perto de 3,5 milhões de euros] destinados ao combate à pandemia no estado do Roraima.

Segundo a imprensa brasileira, os agentes encontraram cerca de 100 mil reais na residência de Rodrigues, em Boa Vista, capital daquele estado, dos quais 30 mil [aproximadamente cinco mil euros] nas cuecas do senador.

Após a operação, Rodrigues disse "acreditar na justiça divina e dos homens", acusou "gente mal-intencionada" de tentar "macular" a sua imagem e garantiu ter "um passado limpo".

Segundo fontes do Palácio do Planalto citadas na imprensa, a presidência da república acredita que Rodrigues se demita da posição que ocupa como vice-líder do governo no Senado para não constranger ainda mais Bolsonaro - horas antes do escândalo, o chefe de estado havia dito que aplicaria "uma voadora no pescoço de quem cometesse atos de corrupção".

E em menos de uma hora a hashtag "propina na bunda", sendo que "propina" no Brasil equivale a "suborno' ou "comissão", já liderava a lista dos tópicos mais comentados na redes social ​​​​​​Twitter.

A rutura entre ambos não será fácil, porém.

O senador já demonstrou a sua lealdade a Bolsonaro em mais de uma ocasião: foi ele quem deu emprego, como assessor parlamentar e salário ao câmbio da época de cerca de 5 mil euros, a Léo Índio, o primo direito dos filhos de Bolsonaro incumbido de redigir dossiês sobre funcionários públicos ligados aos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) e de perseguir supostos "comunistas" nas esferas estatais.

Quando o deputado Eduardo Bolsonaro, terceiro filho do presidente, foi cogitado pelo próprio pai para o cargo de embaixador brasileiro em Washington, o governo confiou a Rodrigues a tarefa de tentar fazer aprovar a nomeação, que acabaria por não se concretizar, no Congresso.

Nos 100 dias de governo de Bolsonaro foi outra vez a Rodrigues que o governo recorreu para listar os feitos presidenciais até então: entre as 111 realizações escolhidas, a revista Veja revelou que o senador citou a demissão de "13.700 comunistas de universidades", a "extinção do Movimento dos Sem Terra", grupo de ativistas que defendem a reforma agrária, e até detalhes como Bolsonaro "ter trabalhado, durante meses, com colostomia" e de ter "comido macarrão em pé durante a posse com a faixa presidencial ao peito".

Rodrigues foi ainda o anfitrião de recente visita de Mike Pompeo ao Roraima, na qual o secretário de estado dos EUA atacou a Venezuela, no que foi considerado pela oposição como uma ajuda inconcebível do governo brasileiro à administração de Donald Trump em plena campanha eleitoral norte-americana.

O senador no centro do escândalo do dinheiro nas nádegas está na política há cerca de 30 anos e já mudou oito vezes de partido, exatamente como Bolsonaro.

Em 2006, fora acusado de causar um prejuízo de 40 milhões de reais aos cofres públicos num esquema de faturas falsas, em 2010 condenado por gastos irregulares de campanha e citado em fraudes de licitações de plantio de café, e em 2018 num plano de promoção irregular de oficiais do corpo de bombeiros do Roraima.

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