Polémica em Itália. 60 mil voluntários recrutados para vigiar distanciamento físico

O primeiro fim de semana de desconfinamento em Itália, um dos países mais atingidos pela pandemia de covid-19, pôs o governo e os municípios em alerta, já que foram muitos os que saíram à rua, para celebrar.

O número de mortos e de novos casos está a baixar em Itália. Hoje, registaram-se mais 300 infetados e 92 mortes no país que já soma 230,158 casos e 32,877 óbitos e ocupa agora o sexto lugar entre os mais atingidos.

Os italianos sentirão que o pior já passou e por isso o primeiro fim de semana de desconfinamento foi marcado por imagens de celebrações, ajuntamentos e praias cheias. Algo que, de acordo com o El País, levou o comité científico que aconselha o governo e os autarcas de várias cidades a lançar o alerta que levou o executivo italiano a anunciar que irá recrutar 60 mil voluntários, de entre os desempregados a receber a "renda cidadã" (uma espécie de rendimento mínimo garantido), que os obriga a aceitar "trabalhos socialmente úteis" - no caso vigiar as ruas, praias, esplanadas e estabelecimentos abertos ao público em todo o país para garantir que são cumpridas as regras de distanciamento físico.

Estes "assistentes cívicos", que estarão devidamente fardados e identificados, ao serviço das autarquias, serão recrutados pela Proteção Civil e terão como função vigiar, informar, dissuadir e, se for caso disso, denunciar às autoridades, quando as regras não forem cumpridas, mas não poderão passar multas.

A medida, que é anunciada como "pedagógica", está a causar polémica nos vários quadrantes da oposição italiana e inclusive dentro do próprio governo, com representantes do Movimento 5 Estrelas a lamentarem a introdução desta medida.

As críticas mais duras vêm no entanto da oposição, que acusa o executivo de Giuseppe Conte de autoritarismo. Curiosamente, Giorgia Meloni, líder do partido de extrema-direita Fratelli d'Italia, citada pelo El País, foi a primeira a reagir contra "em deriva autoritária". Ao centro, o +Europa, de Emma Bonino, também se opõe ao que considera uma ideia "orwelliana".

No entanto, o mais provável é que pelo menos até finais de julho, quando está previsto o fim do estado de emergência, o espaço público italiano passe a estar vigiado por 60 mil pares de olhos. Voluntários.

Roma vai multar pessoas que atirem máscaras ou luvas para o chão

A autarquia de Roma vai aplicar multas entre 25 e 500 euros a todas as pessoas que atirem máscaras ou luvas para a via pública, medida aprovada pela capital de Itália para mitigar a propagação da pandemia.

"Durante os meses de emergência sanitárias devido ao [novo] coronavírus, os nossos operadores ecologistas denunciaram em numerosas ocasiões o descarte de máscaras e luvas usadas para o chão por pessoas mal-educadas", lamentou a presidente da autarquia, Virginia Raggi, citada pela agência espanhola Efe.

A capital italiana estabeleceu "a proibição" até 31 de julho de abandonar este tipo de equipamentos de proteção individual e a aplicação de multas.

Em várias ruas de Roma é possível encontrar várias máscaras e luvas descartadas na via pública, uma ação que foi denunciada por várias associações ambientalistas, uma vez que pode colocar em risco a saúde pública, aumentando também o lixo nas ruas.

Estes objetos devem ser colocados em contentores do lixo depois de utilizados.

As preocupações destas associações vão ao encontro das da presidente da autarquia, que sublinhou que o abandono destes equipamentos de proteção individual "constitui um potencial risco sanitário".

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