Peritos britânicos admitem que o vírus está fora de controlo no Reino Unido

Com o número de internamentos a subir, especialistas ingleses de saúde pública alertam que o país está a ir na direção errada. Boris Johnson pede às pessoas para cumprirem as regras.

Especialistas em saúde britânicos admitiram esta quarta-feira que o novo coronavírus está fora de controlo no Reino Unido com o aumento do número de casos e de internamentos hospitalares, apesar de uma série de novas restrições às reuniões sociais aplicadas no país.

"As coisas estão claramente a ir na direção errada", disse o principal conselheiro científico do Reino Unido, Patrick Vallance, numa conferência de imprensa do governo, enquanto mais 7.108 casos e 71 mortes foram registados nas últimas 24 horas.

Como o diretor de saúde de Inglaterra, Chris Whitty, advertiu que as hospitalizações e internamento em cuidados intensivos também estão a aumentar, Vallance acrescentou: "Não temos isto sob controlo no momento."

Mais de 42.000 pessoas morreram de covid-19 no Reino Unido, o pior registo na Europa, apesar de um confinamento imposto em todo o país no final de março.

O isolamento foi facilitado em junho, mas as autoridades voltaram nas últimas semanas a impor restrições às reuniões sociais, incluindo a proibição de grupos de mais de seis pessoas e o encerramento antecipado de bares.

Ao lado de Vallance e Whitty, o primeiro-ministro Boris Johnson disse que "ainda é muito cedo para dizer" se isso terá algum efeito e pediu às pessoas que sigam as regras.

"Se trabalharmos juntos agora, daremos a nós mesmos a melhor hipótese possível de evitar esse resultado e evitar outras medidas", disse.

Desprezo pelo parlamento

Apesar das advertências sobre o aumento do número de casos, muitos dos deputados conservadores de Johnson estão cada vez mais irritados com os limites impostos à liberdade pessoal.

Mais de 50 parlamentares já tinham ameaçado apoiar uma moção no parlamento exigindo mais escrutínio das regras futuras, acusando ministros de governar "por decreto".

O presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, recusou-se a colocar a emenda a votação por razões processuais, poupando Johnson de uma rebelião.

Mas o próprio lançou um ataque contundente ao "desprezo" de Johnson pelo parlamento.

Hoyle advertiu repetidamente os ministros por anunciarem restrições à imprensa e por não permitirem tempo para debate antes de entrarem em vigor.

Muitos parlamentares ainda estão furiosos depois que Johnson encerrou o parlamento no ano passado num ponto crucial da turbulenta saída da Grã-Bretanha da União Europeia - uma medida posteriormente declarada ilegal pela Suprema Corte.

"Espero agora que o governo reconstrua a confiança nesta Câmara e não a trate com o desprezo que demonstrou", disse o presidente.

O secretário de Saúde Matt Hancock mais tarde ofereceu-se para consultar o parlamento e "sempre que possível" realizar votações antes que qualquer nova medida nacional contra o coronavírus entre em vigor.

No entanto, os críticos observam que isso não se aplica a medidas localizadas, que agora afetam cerca de 16 milhões de pessoas, muitas delas no norte da Inglaterra.

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